quinta-feira, abril 11, 2013

Fotografia à beira-mar







à beira-mar.
e é da interrupção desse desejo
que nasce este desejo;
é da interrupção desta capacidade
que se realiza esta capacidade;
é da organização do som
que se mede o poder do embate;
é do soluço desta peixidez
que fazemos por fim nosso
o nosso mar;
sempre uma coisa na dependência
dessa mesma coisa ou algo
à beira-mar.
sempre uma nova pessoa
que nasce dela mesma.

Sylvia Beirute
Uma prática para desconserto
4Águas Editora
Junho 2011
 


segunda-feira, abril 08, 2013

Silves, ao tempo da civilização do al-Ândalus




Foto batida por ocasião da Feira Medieval de Silves, edição de 2012


Sob este título genérico - Silves, ao tempo da civilização do al-Ândalus - conto vir a divulgar nesta página, acontecimentos, episódios, figuras notáveis, poemas e outros materiais que se refiram a Silves durante o fértil período da presença islâmica no nosso território.

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( I )


A primeira referência escrita sobre Silves data de um episódio ocorrido no séc. IX, mais precisamente em 844 (AD).

Era emir em Córdova 'Abd ar-Rahman II e califa em Bagdad Harun ar-Raxid, o das "Mil e uma Noites".

Vindos do norte, os normandos (majus, ao tempo, hoje mais conhecidos como vikings) atacam Lisboa, onde uma recente guarnição militar, enviada pelo emirato, oferece adequada resistência durante 13 dias. Dirigem-se depois a Cádis e Sevilha, onde desembarcaram e as tomaram à força.

Foram então cercar Jerez e aí sofreram um ataque pela força enviada por 'Abd ar-Rahman, que os venceu e onde perdeu a vida o chefe da frota nórdica.

'Abd ar-Rahman recebeu o embaixador dos normandos que lhe tinha vindo solicitar a paz e era portador de um rico presente.

É na sequência deste encontro que o emir de Córdova decide enviar uma embaixada ao rei dos piratas normandos.

Al-Ghazal, um dos maiores poetas e diplomatas do al-Ândalus, célebre também pela sua formosura, graça e inteligência, e com provas dadas como embaixador junto da corte cristã de Constantinopla, foi o escolhido para, na companhia de Ibn Habib, historiador, jurista e reputado linguista, ser portador de uma resposta à petição de paz do rei dos normandos e de um presente que correspondia ao que o emir tinha recebido.

Estes dois enviados do emir deslocaram-se então a Silves, onde se encontrava aparelhada uma embarcação com tudo o que era necessário para a viagem.

É este singelo acontecimento a primeira referência escrita onde surge o nome da nossa cidade - SILVES (1).

Claro que Silves existiria bem antes desta data e a existência de um porto ou até de um estaleiro de construção naval, necessários ao aparelhamento de uma embarcação capaz de enfrentar o Atlântico e as remotas paragens do Norte, não poderia suceder senão num local com gente experimentada e a merecer a opção do emir.

As crónicas falam detalhadamente da viagem de al-Ghazal e do seu sucesso na corte do rei nórdico, nomeadamente junto da rainha, mas esses acontecimentos já não têm propriamente em conta a cidade de Silves, que é o motivo destas notas sumárias que aqui me proponho ir fazendo.

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António Borges Coelho, Portugal na Espanha Árabe, vol.2, Editorial Caminho.
Garcia Domingues, História Luso-Árabe, Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves.
Christophe Picard, A islamização do Gharb al-Ândalus, em Portugal Islâmico (Os últimos sinais do Mediterrâneo), Museu Nacional de Arqueologia.

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(1) Silves é o topónimo contemporâneo da cidade a que os árabes chamaram XILB.
 
 


quinta-feira, abril 04, 2013

A propósito da nota de 1º de Abril

(Meio às claras, meio às escuras)






É evidente que o "post" anterior foi uma daquelas mentiras de 1º de Abril, assim meio às claras, meio às escuras, como é da tradição.







Para os que não são de Silves e não estão a par do que se passa, deixai-me esclarecer que Isabel Soares só não cumpriu todos os mandatos possíveis porque acabou por não levar o seu último mandato até ao fim, em troca pela Administração das Águas do Algarve, SA.

É certo que a senhora também não sabia, à data, desta nova possibilidade de se poder continuar a candidatar após um terceiro mandato, desde que a autarquia diferente, como se ouve dizer por aí. 

Mas não deve estar arrependida; pelo menos livra-se dessa de ter que voltar ao escrutínio público que, a bem da verdade, sempre lhe foi favorável, e não ter que prestar contas a quem, hierarquicamente, lhe é inferior, apesar da simpatia e proximidade que sempre manifestou por toda a gente.

Resta-lhe agora assinar por baixo os pareceres técnicos e exercer o poder da sua simpatia pessoal.

Outros proventos não vêm ao caso.

segunda-feira, abril 01, 2013

Isabel Soares de regresso ao seu posto






Foto de "Sul Informação",
quando da tomada de posse de Isabel Soares como
Administradora das Águas do Algarve, SA.


Preocupada com:
 
          - uma oposição que já não é só a dos partidos tradicionais, a que estava habituada, e que agora surge sob a sigla S.E.R.P.A.;
 
          - as dívidas acumuladas pelo anterior mandato, antes da assunção deste novo Presidente da Câmara;
 
          - a morosidade e derrapagem orçamental das obras, que já deveriam estar terminadas há muito, como nunca antes se tinha assistido;
 
 
Isabel Soares, num golpe de asa, pouco ao seu estilo, surpreende agora tudo e todos, não levando até ao fim este seu mandato nas Águas do Algarve, para voltar a assumir o seu mandato na Câmara Municipal de Silves.


          P.S.: Logo que haja oportunidade de esclarecer melhor esta situação, voltarei ao assunto.


quinta-feira, março 28, 2013

Penumbra





Foto de Manuel A. Domingos

 
 
Há livros na estante
que nunca li
Esperam a sua vez
a ganhar pó
 
Olho para ti e não sei
que novidade encontro
sempre no teu olhar
Mas ela existe
 
pronta a fazer  o meu dia
ganhar sentido
que não tem de ser novo
só sentido
 
Tudo o resto é apenas
o sol a pique no terraço
uma tarde quente
 
Manuel A. Domingos
Penumbra
Edição de autor
Setembro 2012
 
 

terça-feira, março 26, 2013

Sombras do passado






Esta imagem fala de meras sombras do passado; ruínas de uma sociedade que findou, mas que ainda perdura na memória dos mais velhos, que hoje constituem a maioria da população.

Nessa altura tudo girava ao sabor do tempo, das estações do ano, das grandes festividades ou acontecimentos.

Este lagar, na fotografia, preparava-se para acolher o Outono e era a grande azáfama da apanha da azeitona.

Chiavam os carros de besta com o peso das azeitonas que, esmagadas pela trepidação, deixavam correr um suco que se misturava com a água da chuva e enchia o ar com  aquele cheiro acre tão característico do Outono, a coincidir com a abertura do ano escolar e pouco depois com a Feira anual, a de Todos-os-Santos.

Começava o frio e era junto às fornalhas dos lagares que nos reuníamos a esfregar as mãos, aguardando o pão torrado, com azeite novo e sumo de laranja, que um copo de vinho ajudaria a descer melhor até ao estômago. Era também numa brasa dessas da fornalha, que se acendiam os primeiros  cigarros da adolescência.

Ali se fazia o azeite e nos fazíamos homenzinhos.

Há um desajuste enorme entre a sociedade dos serviços e das novas tecnologias em que hoje vivemos e o entendimento que a generalidade dessa geração dos mais velhos tem deste novo mundo.

O hiato geracional deixou-os desprovidos dos meios para o entendimento da mudança e agora, ao ouvi-los, é como se se negassem a falar do presente, pois constantemente estabelecem comparações com o passado, com critérios que são os seus, que consideravam perenes, e que envelheceram com eles.

segunda-feira, março 25, 2013

Torquato da Luz faleceu




Morreu ontem o meu amigo de infância, Torquato da Luz (tem link para a Wikipédia), que sempre me honrava com a sua visita, em Silves, de cada vez que descia  ao Algarve.

À família, as minhas condolências.

Para a minha última saudação, roubei do seu próprio blogue - Ofício Diário (tem link para a Wikipédia), a foto e o poema que a acompanhava.


                                                                                                    Uma rua no Castelo


Nem balanço nem contas. Nada disso.
Importa é recusar o compromisso
do permanente deve & haver.
Importa é ter insubmisso
 a todo o tempo o coração.
Importa é não ceder
e saber dizer não
a quem, por qualquer razão
que supõe ter,
não pretende senão
fazer-nos obedecer.
Importa é que a rebeldia
nos seja pão de cada dia.

Torquato da Luz
Ofício Diário
2 de Fevereiro de 2013