Alguma coisa me sugere o mar. Algo me desperta um apelo de viagem.
Sei que há Sol para além das nuvens, outros lugares que não os onde estou.
Oh, liberdade de sonhar!
Comentários locais e globais sobre o que me apetecer.
© António Baeta Oliveira
Faz tempo que esta página não divulga um poema e mais tempo ainda que o não faz em relação a um poeta luso-árabe.
Al-Kumait al-Gharbí viveu no séc. XI e embora se saiba da sua presença na corte de Musta'in, em Saragoça, ostenta esta alcunha de ...o algarvio, o que faz dele um poeta luso-árabe.
Adalberto Alves
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1998
Com a expressa intenção de construir uma comunidade de indivíduos que deseje explorar modalidades de interacção entre diferentes línguas, nacionalidades, religiões e culturas, compatível com a democracia, os direitos humanos e a igualdade, Michel Manen criou uma região baseada na experiência histórica vivida no Al-Andalus (sécs. VIII-XV), onde se integrava grande parte do território a que hoje chamamos Portugal, e de que Silves foi, entre os séculos XI e XIII, uma cidade de particular importância.
Visitei ontem essa região (clique), prolongadamente. Aos utilizadores da Second Life convido a visitá-la através do link que deixei aí atrás, com todos quero partilhar imagens que ali colhi, de:
O Pátio dos Leões, no Allambra de Granada
e da
Mesquita de Córdova.
É esta ambiência de filme de ficção científica, de paisagem arrasada por um cataclismo, a que vim encontrar nas abandonadas Minas de São Domingos.
Foi de facto um cataclismo o que se abateu sobre esta população cerca de meados do séc. XX.
De um empório industrial que fornecia mais de 40% das necessidades em pirite do Império Britânico, cujo interesse económico está bem patente na atribuição pela Monarquia Portuguesa do título de Conde de São Domingos ao administrador da empresa britânica em Portugal, resta esta paisagem desolada, esventrada, de enormes lagos de águas ácidas, de terrenos com coloração de amarelo, vermelho, lilás... de fortes tonalidades. Um mundo desértico onde outrora chegavam mais de meia dúzia de linhas de caminhos-de-ferro, por onde seguiam carregados de minério os comboios que se dirigiam ao porto do Pomarão, sobre o Guadiana. Ali, por ano, mais de 500 navios de alta tonelagem carregavam o trabalho de milhares de operários, para terras de Sua Majestade Britânica.
Hoje, na Mina de S. Domingos, as suas gentes vivem a saudade de outros tempos, dessa época da era industrial que findou e é o turismo, em busca desta paisagem estranha, mas arrebatadora, ou o Parque Natural de S. Domingos e a sua caça ou, no Verão, a sua praia fluvial, quem ainda alimenta a economia da localidade.
Foi assim, através da Associação 1/4 Escuro e da sua proposta de um encontro de fotógrafos amadores, que aqui passei um fim-de-semana que me encheu de nostalgia, pois também conheço de perto a degradação que sofreu esta minha cidade corticeira com o fim da era industrial.
P.S.
Outras fotos de S. Domingos e do Pomarão, podem ser vistas aqui. (clique)
Gosto de fotografar, de guardar o meu olhar sobre alguma coisa que me prendeu a atenção: uma janela, uma porta, uma paisagem, uma pessoa, uma mera impressão de luz, de cor ou movimento que me tivesse emocionado.
Não saio em passeio ou em viagem sem levar a minha câmara. Sem ela não teria retido o momento acima, em Évora, quando essa senhora abriu os portais de uma destas capelas de Via Sacra, pousou os seus óculos no altar para os substituir por outros mais conformes à leitura e se sentou, lendo o seu jornal, indiferente a quem passava.
É pela fotografia que vou passar o próximo fim-de-semana à Mina de São Domingos, próximo de Mértola, numa iniciativa da Associação 1/4 escuro (clique).
Haverá lugar a fotos, exposições, diaporamas, tertúlias, gastronomia, e sobretudo companheirismo e amizade entre os que aqui se irão reunir, fotógrafos ou meros curiosos, como é o meu caso, em torno desta iniciativa de 1/4 escuro (clique), na busca do registo de emoções e da partilha da sua memória.
O primeiro deslumbramento foi cenográfico.
A cena ampla, aberta, em gradações de cinza como numa foto a preto e branco. O chão a projectar-se na profundez do palco. O tecto a emergir como numa rotação suplementar do chão, seu gémeo simétrico, a partir desse lugar profundo onde o chão se perde, sem que ambos se toquem.
É neste lugar, sem limite aparente, que a luz, o som e os actores se congregam numa cerimónia de celebração da ...
P A L A V R A
(clique na imagem para ampliar)
É a palavra que tem a primazia. A palavra de Fernando Pessoa e seus heterónimos, aqui meras "criaturas", e não personagens, como se lhes refere Ricardo Pais, responsável pela encenação.
De facto não há contracena. Mesmo o próprio Pessoa nos surge como o lugar de intersecção das suas criaturas ou alvo das atenções de Ofélia nas suas cartas.
É um espectáculo total, feito de palavras e de silêncios, de luzes e sombras, de drama e de riso, de inesquecível beleza, como a imagem abaixo permite retratar.
Obrigado ao Teatro Nacional de São João, do Porto, nesta sua primeira viagem ao Algarve e o meu reconhecimento pelo seu contributo para a substancial melhoria da oferta cultural da região onde vivo.
'Abd Allah ibn Wazir |
'Abd Allah Ibn Wazir |
Abu al-'Abdari |
Abu Al-'Abdari | O que é que Cacela tem? |
Abu Bakr ibn al-Milh |
Tal filho, tal pai |
Abu-l-Fadl ibn al-'Alam |
Um poema, em vez de um grito |
Abu-l-Hasan ibn Sali ax-Xantamari |
Outro poeta de Faro |
Abu-l-Qasim ibn al-Milh |
Ibn Al-Milh, de Silves |
Abu-l-Rabi Sulayman ibn 'Isa al-Kuthayyir |
Um poeta de Loulé |
Al-Kumait al-Gharbí |
Al-Mu'tamid |
Al-Mu'tamid, poeta luso-Árabe do séc. XI | Al-Mu'tamid (II) | Evocação de Silves | O cativeiro de Al-Mu'tamid | Mil e uma noites | Al-Mu'tamid, 909 anos depois | Evocação de Silves (II) |
Ar-Raxid ibn 'Abbad |
Dá-me o teu sorriso! |
At-Tulaytuli |
Terminou o Ramadão |
Ax-Xilbia |
Ash-Shilbia |
Ibn 'Abdun |
Um poeta de Évora |
Ibn 'Ammar |
Ibn 'Ammar, de Silves. (séc. XI) | De Ibn 'Ammar (silvense) para Al-Mu'tamid, seu amigo e rei | Este poema é para ti | A Al-Mu'tadid | Um poema árabe em Julho | Relembrando Ibn 'Ammâr |
Ibn al-A'Lam ax-Xantamari |
Um poeta de Faro |
Ibn al-Asili |
"Poetas-espiões" no al-Ândalus |
Ibn al-Milh |
Sexto aniversário |
Ibn as-Sid |
O primeiro poema de 2004 | Como estás? |
Ibn at-Talla |
Ibn At-Talla, de Silves |
Ibn Badrun |
Ibn Badrun, de Silves |
Ibn Bassam |
A Xantarim e a Ibn Bassam | O Amor, em Ibn Bassam |
Ibn Darraj al-Qastalli |
Ibn Darraj | Ibn Darraj, poeta de Cacela |
Ibn Habib |
Ibn Habib, de Silves | Março. é mês de Primavera! |
Ibn Harbun |
Ibn Harbun, de Silves |
Ibn Qasi |
Ibn Qasi, de Silves. (séc. XII) |
Ibn Sara |
Ibn Sara, de Santarém | De Sara para Sara, por uma noite | Melancolia(s) | A face insondável do céu | Mértola mediterrânica | As laranjas, de Ibn Sara | Cai a noite |
Ibn Sidmir |
Este apego à terra natal |
Maryam al-Ansari |
Outra silvense na poesia |
Adalberto Alves |
CELAS homenageou Adalberto Alves |
Al Berto |
Giotto |
Alexandre O'Neill |
Neste particular fim-de-semana | Homenagem em atraso | Para aqui estamos |
Allen Ginsberg |
UIVO |
Almeida Garrett |
Silves, em Almeida Garrett |
Al-Mutanabbi | A poesia Árabe "pré-peninsular" (III) |
Álvaro de Campos | Em véspera de Carnaval | Álvaro de Campos voltou a Tavira |
Anacreonte | Assim eu fosse o seu espelho |
Ana Luísa Amaral | Deve ser árabe, sim |
Antero de Quental | Tormento do Ideal |
António Aleixo | Líricos algarvios (IX) |
Antonio Gala | Elegia de Al-Mu'tamid |
António Pereira | Líricos algarvios (V) |
António Ramos Rosa | A (de) António Ramos Rosa | Foi por isso, certamente | O que escrevo, por vezes | O meu apreço, nas palavras de Ramos Rosa | Equinócio | Pelos 80 anos de Ramos Rosa | O perfume azul de um corpo adivinhado | Num ponto qualquer | Não posso adiar o coração | Aniversário de Ramos Rosa | Parabéns, poeta! | De Ramos Rosa a Alexandre O'Neill | Uma palavra te procura |
António Vicente Campinas | Líricos algarvios (X) |
Armando da Silva Carvalho | Um poema com verde no título |
Arthur Rimbaud | La liberté libre |
Bassar ibn Burd | A poesia Árabe "pré-peninsular" (II) |
Bernardo de Passos | Líricos algarvios (VII) |
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