- ODE LOUCA
Todos os homens têm o seu rio.
Lamentam-no sentados no interior das casas
de interior e como o poeta que escreve a lápis
apagam a memória com a sua água.
Os rios abandonam os homens que envelhecem
longe da infância, e eles choram
o reflexo absurdo na distância.
Por vezes, enlouquecem os rios, os homens,
os poetas nas palavras repetidas
que buscam uma ode que lhes diga
a textura. Todos procuram o mesmo:
um lugar de água mais limpa
ou um espelho que não lhes negue
a hipótese do reflexo.
O rio sofre mais do que o homem,
o poeta,
porque dele se espera que nos devolva
a imagem de tudo, menos de si próprio.
Todos os rios têm o seu narciso,
mas poucos, muito poucos,
o simples reflexo das suas águas.
Talvez os Lírios Compreendam, Cadernos do Campo Alegre/8
Fundação Ciência e Desenvolvimento, Porto 2004
A Cidade Líquida e Outras Texturas
Deriva Editores, Porto 2006
O Problema de Ser Norte
Deriva Editores, Porto 2008
A Inexistência de Eva
Deriva Editores, Porto 2009
Poesia 21
Parceria Biblioteca Municipal de Silves / Escola Secundária de Silves



1 comentários:
Sempre as 2ªs a descoberto e a leitura que se tornou obrigatória.
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