terça-feira, junho 14, 2011

Dance... dance... otherwise we are lost (Pina Bausch)



Fui ontem à noite ver Pina, o filme. O CineClube de Faro conseguiu mostrá-lo, se bem que na sua versão 2D; os circuitos comerciais não revelaram interesse em prolongar a presença do filme em cartaz, para além de breves sessões, em algumas cidades.

A dança é um processo de comunicação algo hermético para os não iniciados, afinal como qualquer outra linguagem. Há que aprender a falar.. há que aprender a ler... há que aprender...

A linguagem de Pina é a das emoções e essas tocam-nos no mais recôndito lugar das nossas memórias afetivas. Sentimo-las como um estímulo, um choque, um sufoco, uma vibração e o nosso corpo reage num estremecimento, numa contração, num relaxamento, num embevecimento, num palpitar, numa tomada de ar, num sorriso, numa lágrima...

Wenders soube muito bem revelar esse espírito "bausch(iano)" de enquadrar os bailarinos num décor apropriado. A cena é não só o palco pensado ao mais ínfimo pormenor. Da cena faz parte até o som, o apoio musical, que não serve a coreografia do bailado, mas o apoia como um suporte cénico, mais até como uma outra linguagem, que apela à impressão necessária para despoletar a emoção precisa que pretende desencadear no espetador.

O palco é também a natureza ou a rua, a paisagem urbana, as grandes fábricas da era industrial, ou os cenários das grandes metrópoles contemporâneas.

As cenas de Café Muller continuam a ser as que mais me provocam e senti que foram essas também as que mais tocam o interesse de Wenders.

Este filme vai ficar-me para sempre na memória afetiva e não vejo a hora de me apropriar de uma cópia que possa ver e rever quando me der na gana.

Siga-me no twitter
e/ou
Divulgue esta página com um

1 comentário:

António Baeta disse...

A cópia já tenho, faz tempo.