
Vou ausentar-me por algum tempo. Estarei pelas proximidades do paraíso.
Já descobriram onde?
Comentários locais e globais sobre o que me apetecer.
© António Baeta Oliveira

Vou ausentar-me por algum tempo. Estarei pelas proximidades do paraíso.
Já descobriram onde?

O Guia da Cidade de Silves, irmão mais velho do Local & Blogal, cumpre hoje 9 (nove) anos de vida.

A minha filha Joana, que vive em Londres, veio ontem de férias. A diferença significativa de preço entre voar para Faro ou Sevilha, fê-la escolher este destino.
Fui buscá-la.
Um dia tremendo de calor, cuja sensação não consegui afastar, ainda que tentasse inspirar-me nas imagens do meu último post.
Apesar de tudo estive bem longe do Verão, bem mais quente e inóspito, que se vive agora em Beirute ou em Haifa, entre cidades tanto ou mais vizinhas do que Silves e Sevilha e entre povos também tão próximos de mim, cultural e emocionalmente, neste Mediterrâneo onde me sinto o que sou.

Esta quietude, este remanso de fim de tarde, esta frescura na proximidade da água, esta fuga que o barco sugere, serão imagens de conforto no tórrido, seco, ruidoso, massificado e inóspito verão algarvio que se aproxima.

A ida a Almada foi ainda o convívio com familiares e amigos, de que destaco o Edmundo Estrela, incondicional companheiro, com quem, além do roteiro cénico e do roteiro cultural, acompanhei num roteiro gastronómico com sabor a salmonete, em Setúbal, com a minha irmã e o meu cunhado, a sardinha assada, no Seixal, a chocos com tinta, na Piedade, e, em Miratejo, a carapaus fritos no intervalo do malogrado Portugal-França, no Passarinho, e a massinha de cherne, em jeito de despedida, no Figueiredo, então já com o meu irmão, que ainda não beneficia deste tempo livre que a aposentação concede.
A minha cunhada também nos presenteou com um jantar de coelho marinado em vinha-de-alhos, cozinhado com cogumelos e ameixas secas (pruneax). Uma delícia!
Pequenos prazeres a quebrar a rotina dos dias.
P.S.
1. A fotografia não corresponde a nenhum daqueles petiscos. Foi batida propositadamente para ilustrar este post, numa das minhas refeições desta semana.
2. Quanto aos vinhos, que não referi, há que mencionar a predominância dos destas terras entre Palmela e Azeitão, com breves saídas pela planura alentejana e pelas margens do Dão e do Douro.
O rescaldo da ida a Almada comporta também uma passagem pelas Janelas Verdes, em Lisboa, de visita à grande retrospectiva da pintura europeia, que ali permanecerá, no Museu Nacional de Arte Antiga, até 17 de Setembro.
Usando como ícone mediático esta retrato de uma jovem mulher, em óleo sobre madeira, de Bernardino Luini (1485 - 1532), esta exposição, da colecção de Gustav Rau, é uma grande oportunidade para conhecer de perto uma vasta, representativa e criteriosa mostra da pintura - de Fra Angelico a Bonnard - do início do Renascimento italiano até meados do século XX.
É um momento único, este de conhecer, ao natural, o que nos habituámos a ver em ilustrações e que aqui se nos apresenta pela mão de Canaletto, de El Greco, de Ribera, de Corot, de Cézanne, Manet, Degas, Monet, Renoir, de Pissarro, Sisley, de Toulouse-Lautrec e tantos outros.
Foi também um prazer regressar às Janelas Verdes e à sua exposição permanente e, já pelo final da tarde, fruir dos seus silenciosos e refrescantes jardins e da sua panorâmica vista sobre o Tejo.

A câmara do meu telemóvel registou esta cenografia, como uma paisagem de neve, na 2ª parte, após o intervalo, da peça de teatro A Mata, produção de Artistas Unidos, com o Det Apne Teater e o Chapitô, texto de Jesper Halle e encenação de Francisca Aarflot.
Em breves 2 horas e 20 minutos, os miúdos do Chapitô prenderam-me na sua esfusiante alegria, na surpresa da inocência das suas interrogações e dos seus medos, na expressão plástica dos seus gestos e acrobacias, na sensibilidade que sabem imprimir à reprodução do texto. Dependurados em árvores feitas trapézios de circo, suspensos na teia metálica que envolve toda a cena, como uma floresta, voando sobre o palco balanceados em cordas, dançando ao som de ritmos quentes, estilizando combates corpo a corpo, estes adolescentes oferecem-nos, oferecendo-se, o prazer estético do teatro.
A Mata é o desconhecido, o outro mundo, proibido, porque diferente do dia-a-dia do bairro e do seu convívio. É o apelo do misterioso, o desejo do conhecimento, a descoberta de cada um no contacto com os outros, do seu corpo e dos seus limites, dos tabus sociais; é a jornada que a todos nos compete cumprir nesta condição de ser humano.

Ausente da blogosfera por alguns dias, acabei por deixar passar o aniversário do Local & Blogal, a 8 de Julho.
Agradeço a todos os que por aqui lançam o seu olhar, cujas visitas são o incentivo para o post seguinte, dia após dia, já lá vão 3 (três) anos.
Um abraço.
'Abd Allah ibn Wazir |
'Abd Allah Ibn Wazir |
Abu al-'Abdari |
Abu Al-'Abdari | O que é que Cacela tem? |
Abu Bakr ibn al-Milh |
Tal filho, tal pai |
Abu-l-Fadl ibn al-'Alam |
Um poema, em vez de um grito |
Abu-l-Hasan ibn Sali ax-Xantamari |
Outro poeta de Faro |
Abu-l-Qasim ibn al-Milh |
Ibn Al-Milh, de Silves |
Abu-l-Rabi Sulayman ibn 'Isa al-Kuthayyir |
Um poeta de Loulé |
Al-Kumait al-Gharbí |
Al-Mu'tamid |
Al-Mu'tamid, poeta luso-Árabe do séc. XI | Al-Mu'tamid (II) | Evocação de Silves | O cativeiro de Al-Mu'tamid | Mil e uma noites | Al-Mu'tamid, 909 anos depois | Evocação de Silves (II) |
Ar-Raxid ibn 'Abbad |
Dá-me o teu sorriso! |
At-Tulaytuli |
Terminou o Ramadão |
Ax-Xilbia |
Ash-Shilbia |
Ibn 'Abdun |
Um poeta de Évora |
Ibn 'Ammar |
Ibn 'Ammar, de Silves. (séc. XI) | De Ibn 'Ammar (silvense) para Al-Mu'tamid, seu amigo e rei | Este poema é para ti | A Al-Mu'tadid | Um poema árabe em Julho | Relembrando Ibn 'Ammâr |
Ibn al-A'Lam ax-Xantamari |
Um poeta de Faro |
Ibn al-Asili |
"Poetas-espiões" no al-Ândalus |
Ibn al-Milh |
Sexto aniversário |
Ibn as-Sid |
O primeiro poema de 2004 | Como estás? |
Ibn at-Talla |
Ibn At-Talla, de Silves |
Ibn Badrun |
Ibn Badrun, de Silves |
Ibn Bassam |
A Xantarim e a Ibn Bassam | O Amor, em Ibn Bassam |
Ibn Darraj al-Qastalli |
Ibn Darraj | Ibn Darraj, poeta de Cacela |
Ibn Habib |
Ibn Habib, de Silves | Março. é mês de Primavera! |
Ibn Harbun |
Ibn Harbun, de Silves |
Ibn Qasi |
Ibn Qasi, de Silves. (séc. XII) |
Ibn Sara |
Ibn Sara, de Santarém | De Sara para Sara, por uma noite | Melancolia(s) | A face insondável do céu | Mértola mediterrânica | As laranjas, de Ibn Sara | Cai a noite |
Ibn Sidmir |
Este apego à terra natal |
Maryam al-Ansari |
Outra silvense na poesia |
Adalberto Alves |
CELAS homenageou Adalberto Alves |
Al Berto |
Giotto |
Alexandre O'Neill |
Neste particular fim-de-semana | Homenagem em atraso | Para aqui estamos |
Allen Ginsberg |
UIVO |
Almeida Garrett |
Silves, em Almeida Garrett |
Al-Mutanabbi | A poesia Árabe "pré-peninsular" (III) |
Álvaro de Campos | Em véspera de Carnaval | Álvaro de Campos voltou a Tavira |
Anacreonte | Assim eu fosse o seu espelho |
Ana Luísa Amaral | Deve ser árabe, sim |
Antero de Quental | Tormento do Ideal |
António Aleixo | Líricos algarvios (IX) |
Antonio Gala | Elegia de Al-Mu'tamid |
António Pereira | Líricos algarvios (V) |
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António Vicente Campinas | Líricos algarvios (X) |
Armando da Silva Carvalho | Um poema com verde no título |
Arthur Rimbaud | La liberté libre |
Bassar ibn Burd | A poesia Árabe "pré-peninsular" (II) |
Bernardo de Passos | Líricos algarvios (VII) |
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