quinta-feira, janeiro 25, 2007

Senhora da Rocha

Promontório e Ermida da Senhora da Rocha, © Escola Secundária Padre António Martins de Oliveira

  • SENHORA DA ROCHA

    Procuras neste mar ainda o espelho
    a espuma de outro tempo No levante
    movendo as novas ondas
    respiras a memória tão azul
    da tua juventude Há vinte anos
    o cenário do mundo talvez fosse
    límpida linha de água
    agora exposta ao frio de fevereiro
    a este sol gelado quando as ondas
    avançam e rebentam
    na esperança de um sonho que brilhasse
    mais do que a própria espuma e atingisse
    a tua face

    Debruças-te à varanda e absorves
    o vento Mal procuras
    no azul de outros olhos o que resta
    da tarde que se arrasta enquanto escutas
    as promessas de Averno
    os estridentes gritos das gaivotas

    Voam de novo em círculos Procuram
    também elas a luz
    de outro sol que as salvasse que lhes desse
    um céu fora do tempo

Fernando Pinto do Amaral
ALGARVE todo o mar
(Colectânea)
Dom Quixote, Lisboa 2005

14 comentários:

Anónimo disse...

Lindíssimo! Um quase-retrato! B agradece-lhe!

Anónimo disse...

Tão belo!

António Baeta disse...

Um abraço, Helena.

josé meireles disse...

António Oliveira

Obrigado pelos momentos de convívio que nos proporciona no seu blog, onde a poesia é soberana.
Guardo no silêncio os momentos mais marcantes de uma vida desgastante, onde outrora vingava a cultura e a poesia.
Agora, olhando para trás, vejo um denso nevoeiro que teima em permanecer junto de nós, fortalecendo cada vez mais as nossas amarras.

Continuação do excelente trabalho que aqui é desenvolvido. Um forte Abraço. Até breve.

Um dia a "Vitória será nossa"!

Anónimo disse...

"Elogio do amadorismo

Ontem fui ouvir um amigo que canta num coro amador a uma igrja perto de Penn Station. Magnificat de Bach, entre outras peças. O coro era sofrível, os solistas esforçados e os instrumentistas contratados uns músicos aos biscates. Mas o Magnificat lá sobreviveu e cheguei mesmo a pensar que, mais do que os grandes agrupamentos e as estrelas no canto, talvez aquele défice de excelência dê um fiel retrato do que se terá passado na Leipzig de Bach"

in Caderno I
Vasco M. Barret

Anónimo disse...

Leia-se "igreja" e "Barreto"

Anónimo disse...

Tenho o sítio na memória. As palavras sentia-as mas não as sabia. Obrigada, António! Mais um doce vôo, momento do Sul e ar aberto. Abç

António Baeta disse...

Meireles
A poesia não precisa de vitória; não tem que ganhar a ninguém. Também não comungo essa ideia desse passado tão glorioso de que falas; não o avisto, mesmo sem as brumas.
Mas tens aqui o meu abraço.

António Baeta disse...

Bet

Obrigado.

Anónimo disse...

"Procuras neste mar ainda o espelho
a espuma de outro tempo
No levante
movendo as novas ondas
respiras a memória tão azul
da tua juventude
Há vinte anos
o cenário do mundo talvez fosse
límpida linha de água
agora exposta ao frio de fevereiro (JANEIRO)
a este sol gelado quando as ondas
avançam e rebentam
na esperança de um sonho que brilhasse
mais do que a própria espuma e atingisse
a tua face"
HÁ VINTE ANOS!
PARABÉNS!por ainda hoje, 28 de janeiro de 2007, continuares a procurar...

Anónimo disse...

Obrigado pela partilha e pela amizade.
Um bjinh grande de parabens. Fatma

António Baeta disse...

Manuel e Fátima

Um grande abraço, meus caros amigos.

Matilde disse...

(Aos dois filhos gêmeos, da minha amiga Emília, acabados de nascer):

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

Miguel Torga

Karma27 disse...

muito bom