segunda-feira, março 22, 2010

As pedras são guardadoras de histórias


Presenciaram episódios de ódio
guardaram de olhares indiscretos
os suspiros contidos do amor
Lagos, Março 2010
Serviram de morno leito
às que deram vida
à vida que traziam em si
e de ara fria
aos que a perderam
no inesperado acidente que os vitimou
na doença que um dia se deixou denunciar
na velhice
que é apanágio de uma vida inteira

Testemunharam a intriga insidiosa
dos palácios
nos jogos do poder
e as decisões que mudaram o mundo
a fervorosa devoção
no interior dos templos
e o medonho sacrilégio
que ali se perpetrou

Ergueram a habitação abastada
e a mais humilde
que é sempre o lar
que ansiamos no regresso a casa

As pedras
são calçadas dos nossos percursos
praças públicas das nossas alegrias
e tristezas

As pedras
são guardadoras de histórias
por contar

3 comentários:

Torquato da Luz disse...

Mas as pedras contam histórias, meu caro!
Um abraço por mais este belo texto.

António Baeta disse...

Pois contam, meu amigo, mas falo das que ficaram por contar.
Abraço.

hfm disse...

As pedras o lugar alquímico das tuas palavras!