quarta-feira, março 10, 2010

A velha casa


Armação de Pêra, Dezembro 2009
            A velha casa projecta
            as suas sombras e
            as palavras dizem d
            o pai ainda com
            o pijama na manhã de domingo
            o almoço depois da missa
            a gambiarra a iluminar
            a refeição onde estamos todos
            a neve naquele ano avistada d
            a janela da porta d
            a cozinha
            o fogão de lenha
            o poial dos cântaros
            o poço
            os canteiros de amores-perfeitos
            os pés esguios d
            as couves-galegas esgargaladas como
            o pescoço das galinhas
            a erva-azeda para os coelhos
            o quarto
            o leito de ferro pintado de branco
            a janela baixa debruçada sobre
            a rua
            o canto da chuva n
            a noite escura
            a luz ainda acesa sob
            a porta do escritório d
            a mãe
            o medo dos ruídos do sótão
            o adormecimento d
            as memórias

6 comentários:

jcb disse...

António: gostei imenso. Isto, espero, é para ir repet
indo...

António Baeta disse...

Vindo de ti até fico convencido que é verdade. :)
Um abraço.

Carpe_Diem disse...

Memórias de outros tempos. Bonito

Jose disse...

Reconheço a casa assim descrita; revejo o Toin'd'Abtin a descarregar os cântaros de água; revejo o balde de tirar água do poço-cisterna com bichinhos a rabiar dentro da água e as porcas-saras a saírem dos muros e paredes do quintal; também lembro as casotas dos coelhos e o arbusto de tabaco ali por perto; relembro o nome do responsável pelos ruidos de que dizes tinhas medo: o Jagodes. Mas as recordações são as tuas e ficam bem dessa maneira descritas. Obrigado pelo convite à visita. Um abraço Zé

Torquato da Luz disse...

O Toino d'Abtim... Do fundo da memória, José!
Excelentes texto e foto, Toy!
Aquele abraço.

António Baeta disse...

Logo o Zé, meu irmão, e o Torquato.
Os dois conhecem bem essas memórias de Alcantarilha, se bem que a casa na foto seja de Armação.
Foi um prazer ter-vos comigo; teres trazido o Toin'd'Abtin, como tu escreves, e isso me ter feito lembrar a tua avó, Torquato, a morar bem na frente do aguadeiro.
Um abraço.