quarta-feira, abril 28, 2010

Monólogo e Explicação


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Conhecia o Fernando Assis Pacheco dos jornais e o da literatura, embora este um pouco tarde, pouco tempo antes da sua morte, em Trabalhos e Paixões de Benito Prada, esse romance inquietante, de violência justificada na defesa da honra, numa Galiza a que estava vinculado pelo seu avô Santiago.
À sua poesia nunca antes acedera.
Tomei contacto com ela agora, durante a IV Bienal de Silves, e apresso-me a divulgá-la.

  • Monólogo e Explicação

    Mas não puxei atrás a culatra,
    não limpei o óleo do cano,
    dizem que a guerra mata: a minha
    desfez-me logo à chegada.

    Não houve pois cercos, balas
    que demovessem este forçado.
    Viram-no à mesa com grandes livros,
    com grandes copos, grandes mãos aterradas.

    Viram-no mijar à noite nas tábuas
    ou nas poucas ervas meio rapadas.
    Olhar os morros, como se entendesse
    o seu turpor de terra plácida.

    Folheando uns papéis que sobraram
    lembra-se agora de haver muito frio.
    Dizem que a guerra passa: esta minha
    passou-me para os ossos e não sai.

Fernando Assis Pacheco
Câu Kiên: Um Resumo, 1972
Poemas Portugueses - Antologia de Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI
Porto Editora, Lda., Porto, 2009

3 comentários:

manuel a. domingos disse...

um dos maiores da segunda metade do século XX. é para mim uma referência...

abraço amigo, amigo

António Baeta disse...

Lembrei-me de ti durante a Bienal.
Um grande abraço, Manuel.

fernanda s.m. disse...

Uma homenagem que já tardava... Em boa hora foi feita. Merecida.

Bem-hajam.