terça-feira, fevereiro 10, 2004

Estava em falta com João de Deus

Estava em falta com João de Deus, um dos mais brilhantes líricos da poesia portuguesa, natural de São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves.
Vejam como nos fala, quase brincando com as palavras, desta coisa efémera, sem a qual nada somos e a que chamamos...


  • A Vida

    A vida é o dia de hoje,
    A vida é ai que mal soa,
    A vida é sombra que foge,
    A vida é nuvem que voa;
    A vida é sonho tão leve
    Que se desfaz como a neve
    E como o fumo se esvai;
    A vida dura um momento,
    Mais leve que o pensamento,
    A vida leva-a o vento,
    A vida é folha que cai!
    A vida é flor na corrente,
    A vida é sopro suave,
    A vida é estrela cadente,
    Voa mais leve que a ave:
    Nuvem que o vento nos ares,
    Onda que o vento nos mares,
    Uma após outra lançou,
    A vida - pena caída
    Da asa de ave ferida -
    De vale em vale impelida
    A vida o vento a levou!

4 comentários:

rbacalhau disse...

A vida é tudo o que o poeta diz mas também "A vida è bela", Devemos vive-la com alegria. :-)

António Baeta disse...

Certamente, amigo Rogério. Estamos cá para isso.
Fico satisfeito ao ver-te por aqui.
Vai um bacalhau!

Sara Xavier disse...

E foi com ele que eu aprendi a ler e ainda hoje sei, sem esforço, uma série de poemas dele aprendidos no Jardim Escola!
Um abraço.

Anónimo disse...

LINDO! Deparando com esta pequena perola, pergunto-me quantos tesouros da cultura portuguesa nao estarao ocultados! Nunca tinha lido nada do autor.