terça-feira, novembro 01, 2005

O Terramoto de Lisboa

Passaram-se 250 anos.
Gravuras e textos sobre o Terramoto de 1755 ocuparam e continuarão a ocupar por mais alguns dias os orgãos de comunicação do nosso país. Aqui nos blogs irá ocorrer situação semelhante. Há importantes lançamentos de livros sobre o tema, tanto em Lisboa como no Algarve, com abordagens científicas e literárias de elevado interesse.
A minha cidade, Silves, foi das mais afectadas e diz-se que teriam ficado de pé "umas 20 casas".

Mais do que os factos relacionados com a sismologia e a destruição, gostaria de chamar a vossa atenção para a repercussão internacional que o Terramoto suscitou e que se relaciona com o Iluminismo, essa corrente de pensamento, de ordem científica e filosófica, de carácter racional, representada em Portugal pelos chamados estrangeirados e, particularmente, pela figura mais eminente da época, o Marquês de Pombal.
As explicações racionais do fenómeno colidiram fortemente com a mentalidade religiosa da época.
Voltaire escreveu um poema sobre o Terramoto, questionando-se sobre a Providência divina, assunto que voltou a abordar num dos seus mais famosos romances, Candide. Deixo um link para o Poema sobre o desastre de Lisboa (em francês), agora traduzido por Vasco Graça Moura e incluído na publicação a apresentar na capital, por esta ocasião, pela editora Alêtheia.
Permitam-me que vos deixe ainda o link de um ficheiro do Word, com uma tese, assinada por Robert K. Reeves e apresentada no Dickinson College - The Lisbon Earthquake of 1755 (em inglês) - sobre o confronto entre a Igreja e o Iluminismo, com várias imagens sobre a cidade de Lisboa, ao tempo, de onde retirei a ilustração que encabeça este post.

3 comentários:

Santos Passos disse...

Olá António:
Não sei porque me surpreendo, em se tratando de produção tua. Mas que este post é excelente, lá isso é indisfarçável.
Abração

hfm disse...

Belo post sobre um terramoto que desfez a minha bela cidade.

LG disse...

O Terramoto de 1.11.1755 que compreensívelmente é denominado Terramoto de Lisboa, fez-se sentir com maior intensidade no Algarve e provocou percentualmente mais vítimas nesta região do que na capital.O busílis da questão é que o Algarve nessa altura não tinha absolutamente peso nenhum, apesar de ser Reino, e por isso ninguém se preocupou em saber o que é que aqui tinha acontecido.É verdade que existe o inquérito do Padre Cardoso de 1758( três anos depois), o desaparecimento das respostas do inquérito do Marquês, umas cartas e uns artigos «exagerados» para a Gazeta de Lisboa... e pouco mais. Tudo foi escrito muito depois.