segunda-feira, janeiro 27, 2014

Os caravanistas gostam de Silves




Caravana no Parque de Lazer junto ao Arade, em Silves

Na grande maioria procedentes dos países do Norte da Europa, nomeadamente Holanda, Alemanha e Grã-Bretanha, ei-los que começam a arribar a Silves mal o tempo arrefece.

Também os há no verão, mas esses são mais turistas do que nómadas, como estes, e há os que, já em número significativo, permanecem por Portugal ano após ano, mudando de lugar no tempo quente, em busca da amenidade do mar.

Todos os dias percorro este parque, a pé, com meu Doggy. Com o Doggy já o faço há 3 anos, sem o Doggy faço há muitos mais.

Tenho amigos entre os caravanistas, há anos, e cruzo-me com eles pelas ruas de Silves, encontro-os nos cafés, nos restaurantes, no mercado municipal, nas lojas, nos supermercados, na biblioteca, nos largos e nas praças da minha cidade. 

Gostam de Silves, consideram-na uma cidade de gente simpática e afável, sentem-se seguros, se bem que aos fins de semana sejam por vezes incomodados com ruído e aproximações abusivas das caravanas, por jovens em idade escolar, muitas vezes aparentando ter bebido álcool e que são avistados a provocar estragos em equipamentos do próprio parque.

Estes caravanistas são uma riqueza para a cidade, mas a cidade não os acolhe como deveria, proporcionando-lhes condições de acesso à água, à descarga dos seus resíduos orgânicos, embora eles próprios se encarreguem da higiene do lugar. São recetivos à cobrança do valor justo se essas condições de higiene lhes forem facultadas.

O exercício destas facilidades traria sem dúvida uma boa receita para a administração e então, com essas facilidades concedidas, já se poderia, eticamente, impor restrições aos locais onde os caravanistas poderiam estacionar, que não desta maneira desorganizada, colidindo com o estacionamento das viaturas dos que todos os dias recorrem a estes parques para aceder aos serviços das Piscinas Municipais, da FISSUL, ou do estacionamento propriamente dito.

Agora a situação como está atualmente, sem regras, sem fiscalização, sem que se saiba se se está bem ou mal, sujeitos à arbitrariedade do que der ou vier, é que não é situação que se recomende.

A Administração deveria estudar a situação e decidir em conformidade.

Se os caravanistas aqui vêm e ficam, é porque gostam de cá estar.

Saibamos recebê-los, como em nossa casa todos fazemos com quem nos visita.


P.S.
Recordo que os caravanistas já em tempo se organizaram, fizeram uma coleta entre eles, e dirigiram-se à Câmara Municipal para fazer uma oferta pecuniária, como forma de compensação pela utilização gratuita do parque. A Câmara não poderia aceitar assim esse dinheiro. Acabaram por comprar, por sugestão dos serviços, umas quantas cadeiras de rodas, já não recordo exatamente quantas.
Foi sem dúvida uma atitude louvável e reveladora da sua vontade em agradecer o acolhimento da cidade.


2 comentários:

Antonio Baeta disse...

Este texto foi enviada para conhecimento ao Gabinete da Sra. Presidente da Câmara.

Carpe_Diem disse...

bom texto...