quarta-feira, agosto 16, 2006

A Feira Medieval de Silves

Feira Medieval, Agosto 2006, © António Baeta Oliveira


Terminou a 3ª edição desta Feira, que começou quinhentista, passou a medieval (sécs. XIII e XIV) e que este ano usou uma datação que a fez recuar até ao séc. XII.

Tudo o que me agrada na Feira e tudo o que gostaria de ver melhorar já aqui foi dito em
          A Feira Quinhentista
e em
          A Feira Medieval passou por aqui.

Quero insistir, no entanto, lembrando que estas simulações de recreação histórica que se não baseiam em episódios da história local e continuam a recear a utilização do período mais brilhante da época medieval, o período muçulmano, fazem desta Feira um mero divertimento, que a médio ou longo termo prejudicará a verdadeira imagem histórica desta cidade, vulgarizando-a, pela semelhança com todas as outras feiras do mesmo teor que se realizam, cada vez mais, de Norte a Sul de Portugal, sem falar da vizinha Espanha.

Não se queira medir o "sucesso" pelo número de visitantes, que em última análise prejudica a qualidade dos serviços prestados e a própria fruição das propostas de animação que são dirigidas a quem nos visita.

A FEIRA pode e deve ser melhorada, visando a defesa e a divulgação da identidade local e a melhoria da oferta turística, servindo a economia, a história, a cultura e o lazer.

Veja agora, através destas Fotos da Feira Medieval, como é interessante esta iniciativa local, da responsabilidade da autarquia.

NOTAS:
1. Para ver as fotos, aconselho que carregue no botão "View Slideshow", no lado direito da página que contém as miniaturas e accione essa função nos botões que encontrará sobre a primeira fotografia.
2. O site da VIVARTE, associação reponsável pela recreação histórica da Feira Medieval de Silves, abriu um link para este local, "...por vez de outros relatos de outra imprensa", como referem. O meu obrigado.

12 comentários:

MaD disse...

Caro Vizinho António:
Não posso deixar de lhe expressar, a si e à sua maravilhosa terra - Silves, os meus parabéns pela magnífica festa que visitei na 2ª Feira.
Independentemente dos senãos, apontados por si e outros, que certamente irão ser limados no futuro, fiquei deveras surpreendido com o que vi.
Mais uma vez, parabéns! E que viva Silves!...
Cumprimentos.

António Baeta disse...

Obrigado, parente. Sinto o mesmo. Gosto muito de me divertir e diverti-me imenso na Feira, mas quando se trata da nossa identidade há que tomar precauções.
As festas que descreve da sua terra estão cheias e vivas de identidade local; esta Feira de Silves reflecte uma verdade histórica, mas que não é a verdade histórica de Silves.

Ruralidade disse...

Caro António, a Feira foi bonita mas Silves pode e deve ter uma Feira diferente. Destas já temos por todo o país.
Recordo-me, já lá vão uns anitos, que vi uma manifestação muçulmana por toda a cidade de Silves que foi um espectáculo inolvidável.
Havia até um "árabe" declamador de poemas, com uma voz de trovão que ecoava por toda a cidade. Lembra-se meu amigo?
Foi um acontecimento extraordinário e poderia ser o embrião da tal feira muçulmana.
Um abraço
FV

MaD disse...

Obrigado, António.
Tenho aprendido no seu blog e sei que vou aprender muito mais.
A minha (não)formação histórica não me permite saber tanto quanto desejaria sobre Silves, mas é uma cidade de que aprendi a gostar desde sempre, por nela passar a caminho da casa dos meus avós maternos, na Serra do Caldeirão, na infância e juventude.
Enquanto houver Silvenses como o António, Silves nunca se descaracterizará e nós continuaremos a ter onde aprender sobre a sua história.

hfm disse...

Antonio

O "slideshow" não funcionou mas dei uma vista de olhos pelas fotografias. Gostei do que vi embora tb tenha alguns "receios" em relação a algum facilitismo que essas festas às vezes trazem à verdade histórica. Não posso falar do que conheço mas penso que elas, se bem conduzidas, podem ser um bom incentivo.

Obrigada pela divulgação. Um abraço.

bettips disse...

Parabens, caríssimo, pelo que nos deu! Mas vale pouco que nada, não é? E agora falar em árabes ...era o mesmo que falar nos tais que comiam criancinhas. Deixar abrandar a onda de choque ... Mas claro que o seu blog deve e pode insistir nesse lado melódico e encantatório da nossa H.
Abç

António Baeta disse...

Helena

O que me preocupa não é a "verdade histórica" é a identidade local. É que sem ela isto não passa de um Carnaval, que também é divertido.

António Baeta disse...

Bet

Olhe que o Festival Islâmico de Mértola não se incomoda com ondas de choque. A convivência multicultural é baseada no conhecimento e não no esquecimento.

sol13 disse...

No ano passado consegui a panhar a pela primeira vez a feira medieval e adorei. Este ano não calhou, calhou a festa da cerveja que já nada tem a ver com o que era.

Bjokas

António Baeta disse...

Um beijinho para ti e outro para a Pitukinha.

Clitie disse...

É o segundo ano que lá vou, gosto imenso. A ideia de alugarmos os fatos da época torna tudo mais divertido e interessante.

Beijinhos

bettips disse...

Mértola e aquele HOMEM que foi escavando ...estes contam-se pelos dedos. Na verdade, ali todos se habituaram a esse ameno convívio e é muito belo. E de todos os dias !
Contudo, estas "feiras" têm o condão de serem como os desenhos animados (alguns): sempre se aprende alguma coisa, divertindo.
Para mim (que não vou) têm esse mérito e só.
Abç