quarta-feira, abril 04, 2007

É tempo de Páscoa

É tempo de Páscoa. Sei a que se refere, mas eu nada tenho a comemorar a tal propósito; são conceitos religiosos que me são estranhos e pouco ou nada me dizem.
Sei, também, que se aproxima um longo fim-de-semana. Sei que a partir de hoje o número dos que por aqui irão passar será diminuto; o tempo é de ar livre. Mas haverá sempre alguém que procura uma palavra e é para esses que aqui deixo este poema.
Até breve, depois da Páscoa.



  • No fogo das estradas é que
    o medo de ter
    tempo de mais as mãos pousadas
    no amor nas espáduas
    na amargura no rio
    é que molhar as mãos
    na água dos joelhos e andar
    um pouco mais ainda sobre o fogo
    das pernas e alcançar a terra
    o ar do tronco o vapor o
    movimento infindável do corpo em torno
    do amor é que o mar as estradas
    é que a locomoção por sobre a mágoa
    no fogo das estradas é que tudo
    se pode incendiar


Gastão Cruz
Poemas de Gastão Cruz
ditos por Luis Miguel Cintra

Assírio & Alvim, Lisboa, 2005



2 comentários:

HFR disse...

António, só para dizer que estive aqui a ouvir a bela voz do Luis Miguel, sobre o poema de calma do Gastão Cruz. Abraço do Helder.

António Baeta disse...

Obrigado, meu caro.
Também o Contrasenso me merece a visita regular, a partir das actualizações em Feed.
Abraço.