quinta-feira, agosto 25, 2005

Um Conto (XII) - 1ª parte


(A 2ª nota é uma montagem fictícia)

  • Quem não lê, é como quem não vê

    Carlos, que vivia só, depois da morte da sua mulher, há algum tempo, fora acometido por uma doença crónica. Regularmente, de seis em seis meses, deslocava-se ao Hospital Central da sua região, a cerca de 80 km, para observação médica.
    Cedo, pela manhã, evocava o procedimento adequado e marcava no telefone o número da praça de táxis da cidade mais próxima, a 12 km da sua aldeia. Em cerca de meia hora estava a comprar o bilhete de comboio.
    A viagem, depois, era bem mais demorada. Finalmente na estação de destino, conseguia com facilidade o táxi que o conduziria ao hospital.

    Nem sempre assim acontecia.
    Já lhe sucedera haver um vizinho que ia à capital nesse dia e o deixara directamente à porta do hospital. Outras vezes apanhara boleia até à cidade e daí um autocarro até à estação, mas ultimamente não havia esse autocarro de ligação e então ia a pé, uns 2 km, se tivesse tempo, ou de táxi, se o tempo escasseasse.
    Na capital receava sempre não apanhar um táxi. Sucedera-lhe uma vez e não foi fácil chegar ao hospital, numa cidade grande, que desconhecia, e sem indicações que pudesse utilizar. Chegara tarde à consulta e teve que cumprir de novo, uma semana depois, esta peregrinação que lhe coubera em sorte.

    Já no hospital, dirigiu-se directamente ao edifício das Consultas Externas e retirou a senha com o seu número de espera, depois de ter pressionado o botão referente à sua especialidade, de entre vários outros, para outras tantas especialidades.
    Agora, toda a sua atenção se concentrava nos vários quadros com algarismos, tentando descobrir o momento em que um dos quadros revelasse algarismos iguais aos que a sua senha ostentava.

    Já lhe sucedera apresentar a sua senha com algarismos iguais ao do quadro e ouvir dizer, do outro lado do balcão:
    - «A sua senha não é desta especialidade. Aguarde por esse número dois guichets à sua esquerda.» (...)

    (Continua amanhã)



4 comentários:

Miguel disse...

Caro Antonio,

De modo a divulgar o teu site da cidade de Silves, criei um link no meu Blog!
Espero ajudar em alguma coisa!

Bjs da matilde

António Baeta disse...

Obrigado, Miguel!

hfm disse...

Sabes, António, fizeste-me voltar ao tempo em que no Diário de Notícias que o meu pai comprava eu esperava o desenrolar dos folhetins... hoje aguardarei amanhã!
Um abraço

Asulado disse...

Hospital Central a 80 km... é bom sonhar...