segunda-feira, setembro 12, 2005

Que viva a SERRA!

A Serra em abandono, Abril de 2005, © António Baeta Oliveira

Vai regressar Silves, depois de uma itinerância por Querença, Salir, Alte, São Bartolomeu de Messines e São Brás de Alportel, locais serranos, desde Maio passado, a exposição da 4ª Batida Fotográfica do APARTE/Racal Clube, dedicada à Serra e que contou com a colaboração da In Loco, uma Associação para a Intervenção, Formação e Estudos para o Desenvolvimento Local.
Apresentando a exposição, como quem comenta as fotografias, segue um texto de minha autoria que quero compartilhar com os que aqui me visitam, como um canto de alerta, numa chamada de atenção para a nota que se lhe segue:


  • Observem os rebentos dos novos plantios e das flores da esteva, do rosmaninho e doutras plantas silvestres vestidas de Primavera. Vejam as árvores que crescem, parecendo querer atingir o firmamento. Notem as casas abandonadas, os fornos que um dia serviram para fazer pão, os utensílios que se usaram para matar a sede. Olhai as máquinas e os apetrechos que remendaram uma camisa ou umas calças gastas pelo uso ou costuraram o vestido da filha para ir à festa. Aqui estão os animais, a seca, as represas, os caminhos. Aqui ficaram as máquinas agrícolas apanhadas de surpresa pelo fogo destruidor e as marcas indeléveis que o seu furor deixou. Aqui está também a quietude que se não interrompe, antes se conjuga com o cantar das aves e se prolonga nos horizontes longínquos de uma serra quase em abandono, tantas vezes mal tratada, e sem a qual não poderemos sobreviver, por mais tecnologias e processos que a civilização humana possa inventar.
    Ainda aqui figura o Homem.

    Que viva a SERRA!

Nota muito importante:
Em Julho passado caducou a concessão, à Câmara Municipal, da Zona de Caça Turística da Serra de Silves. Foram retiradas as tabuletas que informavam e delimitavam essa zona. As candidaturas à gestão deste espaço de caça ainda não foram apreciadas pelas entidades competentes. Está criado um vazio legal que torna este vasto espaço da Serra de Silves numa zona de caça de regime livre.

Ao longo destes anos de caça condicionada e apesar dos fogos, cresceu imenso o número de exemplares de espécies cinegéticas, deixando cobiçosos os caçadores, nomeadamente por veados e javalis, que ali abundam.

Se a 2 de Outubro, com a abertura da caça, esta situação não for prevenida, irá ocorrer um massacre, para além dos perigos a que estarão sujeitos os próprios caçadores, numa zona de regime livre, sem segurança nem ordenamento.

Vai daqui o meu veemente apelo: às entidades responsáveis para a urgência de uma decisão que tarda e para a reposição das tabuletas, aos visitantes deste blog para a divulgação desta nota.


Uma das formas de alertar para este meu apelo é clicar no envelope igual a este, aí em baixo, enviando esta página para:

Direcção Regional de Agricultura do Algarve
draalg@draalg.min-agricultura.pt
Chefe de Gabinete da Presidente da Câmara Municipal de Silves
cms.chefegabinete@oninet.pt
Gabinete Técnico Florestal
cms.jsilva@oninet.pt
Assim, não poderão escudar-se no desconhecimento. Conto convosco!

3 comentários:

manuel castelo ramos disse...

E aos caçadores conscientes, para que, apesar da falta de avisos indicadores, respeitem um património de todos cuja manutenção e jurisdição continua ainda, até nova atribuição, sendo responsabilidade da Câmara Municipal de Silves.

hfm disse...

E que viva a Serra contra ventos, marés e fogos.

manuel castelo ramos disse...

Grande ideia esta! A Net pode ajudar no aprofundamento desta democracia, infelizmente, ainda tão pouco participativa!