quinta-feira, setembro 22, 2005

Um Conto (XIV)

A marca outonal do conto que se segue, mais precisamente de fim de férias, de final de Verão, leva-me a quebrar o hábito de publicação de um conto à sexta-feira.
Hoje, quinta-feira, o Equinócio de Outono apresentar-se-á pelas 22h23, para as coordenadas de Silves, e será mais pacífico, conto eu, do que o que vem acontecendo nas estradas portuguesas, ano após ano, pelos finais de férias e feriados.

  • O efeito da luz no ocre da falésia

    Só teve tempo de travar. O carro ainda embateu, ligeiramente, de encontro ao rail que delimitava a via. Atordoado, apercebeu-se de que estava fora de mão, numa situação de elevado perigo para si e para os outros que ali circulavam, intensamente, no regresso de férias.

    Que férias!!!

    Sorria, certamente, enquanto revia as preguiçosas e despreocupadas manhãs, a longa e descontraída cavaqueira ao jantar, com os amigos, as animadas e despreconceituosas festas, noite fora. As tardes, na praia, a ler, a ouvir música, banhando-se amiúde nas tépidas águas do mar ou fitando, abstraído, o efeito da luz no ocre da falésia.

    Foi aí que um violento raio de sol o despertou da sonolência e o acordou, no momento em que o seu carro seguia perigosamente descomandado.


4 comentários:

Luís N disse...

Vejo as semelhanças :) Gosto desse baralhar e voltar a dar do tempo, recurso que me parece ser também do teu agrado. Abraço

Asulado disse...

E o rio está seco
Quase no fim
Regressemos
À sobrevivência


António Manuel Ribeiro

hfm disse...

Que o raio de sol continue a despertar em ti estas palavras. Um abraço e bom outono.

João Scottex disse...

Que o final do Verão e em particular, a luz, nos desperte e nos dê força para mudarmos o está mal.
Abraço.