quinta-feira, maio 18, 2006

Uma janela, em Silves, ao fim da tarde


Há qualquer coisa que me atrai nesta fotografia, ou melhor, várias coisas parecem ter-se reunido para que esta foto me agrade. É o equilíbrio das formas, na janela, na sacada, na composição da grelha de protecção. É o branco imaculado da gelosia, a singular coloração da parede, a nobreza da pedra de cantaria. É também o jogo dos tons quentes de fim de tarde, momentos antes do dia iniciar a sua despedida. É ainda o ângulo em que foi batida, a encobrir parcialmente o interior da janela e a gerar esse ponto de fuga das linhas, em diagonal, abrindo a sua leitura por toda a superfície exposta.
É sobretudo o mistério da janela entreaberta, indiscretamente permitindo o nosso olhar para o interior, que se adivinha no recato que a cortina sugere, na intimidade que o nosso olhar não consegue penetrar. É a presença de alguém, que se denuncia pelo simples acto de deixar aberta a sua janela, e que confere ao todo uma dinâmica que outra janela, fechada, nunca conteria.
É a surpresa do regresso à convivência com o mundo da cidade onde vivo.

Bati esta foto, entre muitas outras, para um concurso de fotografia que a autarquia local está a promover, neste caso concreto subordinado à temática do património arquitectónico. Posso publicá-la porque não concorri com esta fotografia. No próximo domingo terá início mais uma etapa temática, dedicada ao património histórico. Segue-se uma última etapa, sobre o património etnográfico.

9 comentários:

Torquato da Luz disse...

Bela e impecável descrição. Parabéns pelo texto e pela foto, Toy! O abraço de sempre.

António Baeta disse...

Outro abraço, meu amigo.

Rosmaninho disse...

Toy, fico sem palavras com as tuas palavras e com os teus "olhares" sobre Silves.
Aguardo a publicação de outros.
Um beijo

António Baeta disse...

Obrigado, Filomena.
Um beijinho.

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

A beleza de uma janela singela...
Beijos e bom domingo

Miguel disse...

Por mim, já ganhaste o concurso!

Um grande abraço
Bjks da Matilde

António Baeta disse...

Nadir e Miguel
Aquele abraço!

fernanda s.m. disse...

Há nesta foto uma magia de antanho. E o texto confessa essa magia. Penso ver (da rua, ou de outra janela mais afastada) a janela do quarto dos meus Avós, na casa onde nasci e brinquei. Gostei muito da foto com o texto, ou do texto para a foto !
Bjs,
fsm.

António Baeta disse...

Outro beijo, daqui de perto da janela da sua avó.