segunda-feira, junho 12, 2006

Pelo advento do Solstício

É nesta primeira noite de fogueiras, prenúncio do Verão, que a pele se inquieta e as pessoas saem para a rua procurando alívio na brisa e no cheiro da maresia.

  • FÁBULA

    Todos os anos neste dia
    os árabes
    silenciosamente
    voltam-se para os lados de Chenchir
    beijam a terra em suas mãos
    e lamentam o fascinante país
    onde já não vivem o mar
    sem peso as noites inclinadas a terra
    volúvel
    onde seus antepassados
    acenderam as álacres fogueiras do amor

Casimiro de Brito
ALGARVE todo o mar
(Colectânea)
Publicações Dom Quixote, Lisboa 2005

6 comentários:

Rosmaninho disse...

"... procurando alívio na brisa..."

"... beijam a terra em suas mãos..."

Que maravilhosas palavras, para esta primeira noite de fogueiras!


Um beijo

António Baeta disse...

Um beijo, Filomena.

fernanda s.m. disse...

Li, gostosamente este poema em que os árabes , silenciosamente, voltam-se para os lados de Chencir...e ...lamentam. E fiquei a pensar na primeira noite das fogueiras...O solstício ?
Bonito. Um abraço.

fsm

António Baeta disse...

Tem imagens muito belas, de perda, de saudade e de memória.
Outro abraço, Fernanda.

Fatma disse...

Um poema de nostalgia, um memorial pelo que já não existe mas faz parte de uma essência ainda viva. Foi o que senti. Bejnhs

António Baeta disse...

Fátima
Assim senti também, querida amiga.
Beijo