quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Eutanásia

Agora, que passou o período de discussão e decisão sobre o sentido de voto no referendo de domingo, deixai-me que pergunte:

  • Que ordem de razões poderá impedir que uma pessoa, em plena consciência e numa situação limite de uma doença terminal, possa decidir sobre a sua própria vida, requerendo uma eutanásia em condições dignas de um ser humano?


Num Estado laico não deve haver lugar a pressupostos religiosos e não vejo que outros pressupostos possam justificar o sofrimento, a dor, a degradação humana.

Nota:
Proponho que visitem um outro local deste blog, aonde já abordei esta temática, servindo-me do testemunho do realizador espanhol Amenábar, no seu filme Mar Adentro.

Lembro também Million Dollars Baby, de Clint Eastwood.

13 comentários:

hfm disse...

O pior, meu amigo, é que este é um estado laico muito sui generis.

maria disse...

Hoje excedeu-se, meu querido amigo! Obrigada por tudo o que nos (me) transmite! O testamento de Ramón Sampedro eu já conhecia, embora seja um documento sempre digno de lembrar. Mas não a carta aos pais de sua esposa, Ramona (Moncha), que me tocou especialmente, até quase às lágrimas!
A questão que põe, para mim, é mais fácil de resolver que a do aborto, quando se trata do direito à nossa vida, e eu amo tanto a minha! Mas teria problemas em ser assistente na morte de alguém ou ter que decidir por desligá-la de uma máquina, daquelas que nos mantêm artificialmente vivos. E perante situações em concreto, relativamente às pessoas que amo, teria graves problemas de (in)decisão.
Obrigada e aquele abraço (ou terei que renová-lo por mail?)

maria disse...

Permita-me uma citação, meu amigo, inspirada num programa televisivo que vi há dias, sobre Salazar, que não me convenceu, mas de tudo se tira proveito, e com a qual Jaime Nogueira Pinto terminou: "Je maintiendrai l'honneur, la foy, la loy de Dieu, du Roy, de mes amis et MOY".
Para quem queira, ou possa, entender!
Um abraço!

bettips disse...

Sempre lúcido, amigo. Sensibilidade qb. Abç

maria disse...

Amigo, vi uma lindíssima imagem, que me fez pensar que, enquanto momentos maus como os da eutanánia não chegam, existem outros belos e usufruíveis: um quadro em que um jovem (Columbano?) convida uma rapariga (Colombina?) para dançar, em 1880. Não sei (ainda!) transpor para aqui coisa tão bela, mas pensei que poderíamos dançar esta valsa, em "Público" do dia 16: os pés podem atraiçoar-me, mas conduzida por um cavalheiro, mentalmente, sou capaz de voar! É passado, mas tem beleza!

António Baeta disse...

Maria
Porque insiste em usar a caixa de comentários para não comentar?
Eu não tenho nada a ver com esse mundo de Columbano e das valsas do tempo dos meus avós, que me cheiram a mofo e muito menos com essas citações de não sei quem, porque não me interessa, cheias de patacoadas de conceitos pretensamente eloquentes, mas de que não se sabe exactamente o que são: o que é isso da honra, da lei de deus, da lei do rei? Isso existe?
Eu vivo no séc. XXI e essas velhas ideias só me servem para entender o mundo; hoje estão provadamente gastas e desadequadas.
Use um blog para dizer o que pensa, mas não castigue as caixas de comentários dos outros. Não me obrigue a ter que fazer censura prévia de quem me comenta.
Não insista, por favor!

António Baeta disse...

Helena e Bet
O meu abraço.

maria disse...

Eu só compreendo o presente através do passado, e com os olhos no futuro! Mea culpa? Quando lhe falei pela primeira vez da eutanásia fui passadista? Finalmente me responde directamente!, ainda que com uma ameaça! Valeu a insistência! Touché? Só lhe quis retribuir imagens lindíssimas que nos (me) tem enviado! Farei por merecer o blogue!
Um abraço!

Santos Passos disse...

É incrível termos de esperar tanto para a obtenção de direitos tão básicos.
Abração

maria disse...

Obrigada pelo desaparecimento do contentor! (recipiente moderno, invenção deste século, suponho, onde se deitam coisas antigas e patacoadas pretensamente eloquentes). Gostei de ter falado consigo!
Um abraço!

maria disse...

Sabendo que o Homem é a medida de todas as coisas, interrogo-me sobre qual será a da Mulher, para poder continuar... (patacoada? eloquente? actualizada? realista?)

António Baeta disse...

A partir deste momento, e "até ver", introduzi "moderação de comentários", para me livrar destas Maria(s), que em vez de criar um blog têm a pretensão de blogar nas caixas de comentários dos outros.
Queiram desculpar alguma demora adicional na publicação dos comentários que vierem a escrever.

António Baeta disse...

Renato
É bem verdade o que dizes, meu amigo.
Aquele abraço.