sexta-feira, março 04, 2005

MAR ADENTRO

Escolhi esta foto, entre algumas mais que encontrei disponíveis, a partir do site oficial do filme Mar adentro.
Escolhi-a porque não apela ao sentimento fácil que inspira uma foto de um tetraplégico, nem ao drama de uma vida que o obriga a viver "sem corpo".
Escolhi-a, exactamente pelo contrário: porque transmite a alegria de viver que transpira dos rostos de qualquer das personagens presentes e, em particular, do desse homem, que parece sorrir, ainda na cama.
Escolhi-a, também, porque retrata a ambiência de uma casa galega da província, tão próxima das que encontramos no lado de cá da nossa fronteira, que se reflecte até na luz coada de um dia pardacento.

Deixai-me dizer-vos que o que mais me encantou no filme foi mesmo essa alegria de viver de um homem que luta pelo seu direito à eutanásia, e o tratamento dado à reprodução dos conflitos no interior de uma família que tenta suportar tamanho sofrimento, baseada no conhecimento real das relações entre marido e mulher, filho e pai, sobrinho e tio, numa sociedade tão característica como é a sociedade galega e que acentua uma imagem muito realista, sem os ritos e as maneiras que ganham muitas vezes os actores, oriundos de um mundo urbano tão diferente. Fiquei deslumbrado com o jogo dos afectos e com as imagens conseguidas pelo realizador, Amenábar, nomeadamente quando dá corpo às fugas da imaginação de um homem entrevado, seja pelo erotismo dos seus sonhos com a mulher amada, seja pelos passeios, em queda livre, pelas paisagens dos campos e dos mares da Galiza.

Sobre a luta pelo direito a "renunciar, voluntariamente, à propriedade mais legítima e mais privada que possuo - o meu corpo", remeto-vos para o site do homem real protagonizado por Javier Bardem, Ramón Sampedro, especialmente para o seu testamento (de Janeiro de 1998).

5 comentários:

Marco disse...

Pronto! Tenho mesmo de ver esse filme... :-)

Jonathan Molea disse...

Antonio, muy bueno tu blog, yo puedo entender el portugues pero no se como escribirlo, veo que tu tambien puedes hacer lo mismo, un saludo desde Nigeria y gracias por tus comentarios en mi blog

Alcabrozes disse...

Um tema actual e ninguém está livre...
toc, toc, toc! Livra!

o net pulha

Torquato da Luz disse...

Gostei muito do teu texto.
O filme deve ser óptimo, mas não vou vê-lo. Sou forçado a evitar tudo o que possa deprimir-me. Temo pelo meu pobre coração.
O abraço de sempre.

TMara disse...

Já havia programado a ida amanhã a ver o filme.A ideia k tinha e k excvrefvi outro dia num comentário (já não sei em k blog)coincide com a k expressas. A alegria de viver. o amor à vida k smp me(/nos) passou em todas as entrevistas k li do homem/Ramon. Até ao final me pareceu um intenso amor À vida e por isso a necessidade de por fim ao k habitava. Bjs e ;)