terça-feira, março 22, 2005

Árvores do meu Algarve

Pretendia, a propósito do Dia da Árvore e do Dia Mundial da Poesia, lembrar um poema em que Gastão Cruz se refere às mais características e quase já saudosas árvores do meu Algarve. Lá figuram o limoeiro, a alfarrobeira, a oliveira, a laranjeira, a figueira, a romãzeira...
Não o faço porque já o fiz, em Abril do ano passado, e aqui é possível recordar.
Acabei por nem sequer deixar um post neste dia 21 de Março, mas aí houve alguma responsabilidade do Sporting x Porto, ao forçar a sua publicação para além da meia-noite, já no dia 22.

Felizmente ainda é Primavera e o poeta assim se lhe refere:

  • Os Limões Frios
    De cada vez que vínhamos à casa
    dos bisavós longinquamente mortos
    que para ela tinham escolhido
    um lugar na pureza
    da terra absoluta
    quando
    principiava a primavera
    e a avó saudava as andorinhas
    como se no regresso
    do ano anterior as mesmas fossem
    e o sopro dos besouros me fazia
    sentir que qualquer coisa novamente mudara
    nos meus dias e o verão
    subia e o calor da tarde intumescia
    o sexo adolescente
    e antes de regressar ao varejo da amêndoa
    num silêncio de suor o jovem tio dormia
    de cada vez nós víamos
    da árvore desprenderem-se
    os limões frios

Gastão Cruz
Rua de Portugal
Assírio & Alvim, Lisboa 2002

1 comentário:

manueladlramos disse...

Eu bem me queria parecer quando ontem li esta poesia (na colectânea Algarve todo o mar da Assirio & Alvim que já a tinha lido algures, assim como esta Despedida do Verão, mas não me lembrei que tinha sido aqui ;-)