domingo, março 20, 2005

EQUINÓCIO!


(clique na imagem para aceder a um vídeo)

Sem truques, este post foi publicado propositadamente às 12h33, hora a que ocorreu o Equinócio da Primavera para as coordenadas locais da cidade onde vivo - Silves.

O que a ciência não explica é esta mítica ligação do Equinócio da Primavera ao fenómeno que me leva a relacioná-lo com este "estado de espírito" que partilho, certamente que não pelo mesmo motivo nem pela mesma musa inspiradora, com Nuno Júdice:

  • ÉCLOGA

    Encontrei o segredo, a chave de vidro
    das palavras que escrevo; e tenho medo.
    Talvez nos campos imensos onde o lírio floresce,
    na margem de rio que abriga, de manhã cedo,
    os teus pés de ninfa, num engano de idade;
    me tenhas visto à sombra de um rochedo;
    e se os teus lábios, entreabertos num torpor
    de romã, me tocaram num sonho bêbedo,
    deles só lembro, imprecisos, fluxos
    de incêndio numa hipótese de amor.

Nuno Júdice
A Partilha dos Mitos (1982)
Poesia Reunida (1967 - 2000)
Publicações D. Quixote, Lisboa 2000

3 comentários:

francisco disse...

Permita, António, que , em vez do comentário esperado, aponha uma pequena nota sobre algumas palavras da família do seu "equinócio":1. "equinócio" significa, literalmente, "igual à noite" ( equi, igual, como em equidade, igualdade, equívoco, equidistante, etc. ). 2. empregamos, por vezes, a expressão latina "ex aequo" (não "ex-aequo", para significar "em igualdade", "com o mesmo tempo".3. Com esta introdução, queria chegar ao título do romance de MST "EQUADOR".MST, em vez de perguntar porque se diz "Equador" , mostra que não sabe ( o que é grave para um jornalista excelente que é )dizendo: "Equador" do Português antigo "e cum a dor"! Uma pena."Equador" era para os romanos o verificador do peso da moeda "aequi, igual ) e "aequor" era o termo poético para "mar"( superfície sempre igual ). Da ideia de igual ( espaço ) passou-se à ideia de igual ( tempo, dia, noite ).Longa divagação, me arrependo, porque quebrei a música do poema do seu post. fcr.

António Baeta disse...

Não quebrou música nenhuma, Francisco.
O poema não se refere ao equinócio e, depois de lido o comentário, é possível regressar à música do poema de Nuno Júdice.
Os seus comentários serão sempre bem recebidos; até já estranhava a sua ausência.
Um abraço.

concha disse...

Música e sintonia. Encontrar Nuno Judíce em tantos blogs no mesmo dia!