quarta-feira, janeiro 19, 2005

Líricos algarvios (IV)

Vou dar início à contribuição dos meus leitores.
O poema que irei hoje publicar não foi o primeiro que recebi, mas foi alinhado em primeiro lugar por uma ordem que adoptei, a partir de um "critério" um pouco mal definido, mas que me pareceu bem.

Samora Barros (Albufeira), um «...lírico, também pintor, que se apaixonou por Silves», no dizer do meu amigo Manuel Ramos, a quem agradeço a colaboração:

      • Ideal

        Tenho a casa cercada de arvoredo
        E as altas trepadeiras, de mãos dadas
        Cingem-na toda. E olho-as quase a medo
        Porque tenho as saídas já vedadas!...

        Quando pequeninas, tão amimadas!...
        Ia cavá-las logo de manhã cedo,
        E nos botões das flores engrinaldadas
        Eu sentia sorrir-me o raizedo!!...

        E assim, criei esse meu Ninho - Ideal
        Que me estrangulou toda a esp'rança querida
        De uma vida feliz e sempre igual...

        É que um Ideal é Força - Homicida
        Por nós alimentada, e que afinal
        Nos mata, quando lhe damos a Vida!!...


Samora Barros
30 sonetos
Tipografia União, Faro 1966


1 comentário:

Torquato da Luz disse...

Meu caro Toy:
Sei (e tu também, claro) qual a casa de que Samora Barros - cuja faceta de poeta deconhecia - fala neste soneto. Por mim, continuo a gostar do pintor.
O abraço de sempre.