terça-feira, outubro 11, 2005

Do olhar interior

Como, cá dentro, me sinto assim como ela o diz, recorro ao olhar de uma amiga:

  • Do olhar interior

    do desencanto já nem sobram as sombras
    só a linha contínua de um electrocardiograma
    feridas sem destaque escondidas algures
    limites sem contornos nem vedações
    apenas, ampliando a secura, o grito
    e o deserto perdido nas dunas

    nem sopro, nem sombra
    só um arfar que não sei se de raiva se de tédio.

Helena Monteiro
Linha de Cabotagem

3 comentários:

Torquato da Luz disse...

Gostei do poema da Helena, mas é proibido desanimar.

António Baeta disse...

Desanimar? A secura traz sede e a água é fonte de vida.
Um abraço, meu amigo.

hfm disse...

Andei por terras de D. Dinis visitando uma tia de idade e só agora vi o teu post. Obrigada. Tal como me diz o Torquato da Luz é proibido desanimar, mas é difícil!

Um abraço