segunda-feira, novembro 20, 2006

Em Silves, vendo o tempo passar

Luiza Neto Jorge viveu em Silves. Desse tempo ficou uma publicação que recebeu o título Silves 83.


  • Águas passadas
    não moem rodízios
    de moinhos

    Águas passadas
    não moem ruínas
    de moinhos

Luiza Neto Jorge
Poesia
Silves 83
Assírio & Alvim, Lisboa 2001

P.S.
O título que dei ao post tem a ver com algum desencanto que se vive na cidade; desmazelo e obras por todo o lado, paradas, sem fim à vista, ausência de iniciativas culturais, de vida comercial, de vivência social, de perspectivas.
Um marasmo.
O problema maior é que, quando se trata de civilização, ficar parado não significa ficar no mesmo estádio de desenvolvimento, mas recuar, no que chamaria de involução.

12 comentários:

hfm disse...

E porque sabemos tão pouco de cada região do nosso país? será por ser pequeno?

fernanda s.m. disse...

Como eu o compreendo... E o que era bonito, vai-se degradando por inércia e desgaste das tais obras ali ao lado que impedem até a livre circulação das gentes pelos locais habituais... Pois, eu estou a falar do que se passa nesta terra das "Brisas do Liz"... Deu um vento maldito pelo País de norte a sul ???
Abraço de solidariedade...

António Baeta disse...

Helena
Deve ser mesmo de sermos pequenos.

António Baeta disse...

Oh, Fernanda

Nunca mais desemburramos!

al-jib disse...

subscrevo.te e sinto a mesma tristeza de olhar em derredor e só ver o que não quero ver

um beijo ,António!

maria gabriela

António Baeta disse...

Gabriela
Eu saberia que o sentias mesmo que não o revelasses, mas a solidariedade conforta.
Obrigado.

maria lúcia disse...

Tive o prazer de mal-conhecer a Luiza Neto Jorge, em Lisboa. Num tempo difícil para ela, que o será sempre para os poetas, em que vivia da poesia e da tradução, esta mal paga e com atrasos...

António Baeta disse...

Não sabia desses seus tempos difíceis, mas sei como isso é tão comum entre a gente de letras.

Anónimo disse...

caro amigo

Sinto em mim crescer esta incomodidade que vai alastrando e sufocando os nossos dias. Cada vez sou menos deste lugar, mas o que me perturba é que não sou de lugar algum e, por isso mesmo, de todos os lugares.

António Guerreiro

António Baeta disse...

Como te entendo, amigo!
Obrigado por teres entrado e comentado.
Um abraço.

Anónimo disse...

gostaria de não sentir o mesmo... mas é mal comum, o sufoco de uns e a apatia de outros.

Abraço.
JF

António Baeta disse...

Por vezes o que se chama apatia é apenas a ausência de quem organize o protesto.
Os partidos políticos estão "queimados" pelos seus interesses particulares e a sociedade civil está moribunda.