segunda-feira, novembro 13, 2006

Novos poetas algarvios (VI)



  • Fumar o sopro da vida, travar-te no pulmão, reter-te respirar-te
    Constróis-me como num parto, vivo por dentro de ti como um feto
    És o músculo que empunha o martelo, o ferreiro que bate, aperfeiçoando,
    [o metal
    O cavalo alado da minha juventude, excitando-me, amedrontando-me,
    [atiçando-me
    O abanador que espalha a minha fogueira, que espalha o meu calor
    O índio que me cura espetando agulha
    És a árvore, eu era o fruto caído no chão que germinou com o teu cheiro
    E agora estamos os dois aqui, olhando-nos como vitrais de Igreja
    Permanecemos
    Com o vento abanando nossos frutos verdes

Ruben Gonçalves
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

9 comentários:

hfm disse...

Gostei de conhecer e de ler.

Joana disse...

Breathtaking!

António Baeta disse...

Helena
Além de novos, estes poetas são jovens, entre os 20 e os 30 (ou os 30 e poucos anos).
Prometedor, não é?!

António Baeta disse...

Joana

Nós conhecemo-nos?
Desculpa a pergunta, mas há mais do que uma Joana a aparecer por aqui e através do blog não te identifiquei.

bettips disse...

Este é divino, meu preferido. Círculo de amor, ah...como sempre, mais belo/mais triste, amor finito.
Abç

António Baeta disse...

Também gostei muito, Bet.

maria lúcia disse...

Quando penso na futilidade e no vazio de tantos jovens que conheço... Ao pé disto, vai um oceano de poesia de distância!...

António Baeta disse...

Haverá sempre um "oceano de poesia" entre alguns poetas jovens e outros jovens, fúteis e vazios, não acha?!

Vitória disse...

O amor que respiramos sempre, mesmo quando julgamos não sentir, inspira-nos. Relembra-nos que temos um dom!

Vitória
http://atentaoinesperado.blogspot.com/