quarta-feira, dezembro 10, 2003

P.S.*

*Post Scriptum

Mas...
apesar da pressão comercial, do consumo exagerado e poluidor, do gosto duvidoso da iluminação e da música que temos de aguentar, aprecio o ritmo que esta época impõe, com os passeios cheios de gente, cumprimentando-se (vivo numa cidade pequena, onde quase todos nos conhecemos), perguntando pela família, desejando, sincera e esperançadamente, um ano melhor. Gosto de encontrar os amigos, jantar com eles, conversarmos demoradamente, e de manifestar a minha lembrança, a minha amizade, o meu reconhecimento aos que estão longe. Emociono-me com a chegada dos filhos, dos irmãos, dos sobrinhos, da família que começa a reunir-se para a ceia de Natal. Desvaneço-me com o bacalhau, as batatas, a couve, o azeite, o vinho verde tinto, a aletria doce, as rabanadas e o calor da amizade. Recordo saudosamente o meu pai (um homem do Norte, a justificar esta prática alimentar em noite de Natal, distinta da carne de porco com amêijoas, tradicional na ceia natalícia em Silves) e a minha mãe, afanosamente preparando o jantar durante todo o dia, fatigada, mas sempre com um sorriso e um toque de humor nas suas conversas.

Também gosto de sentir este aperto na garganta, agora, enquanto escrevo estas palavras.

6 comentários:

Sara Xavier disse...

Somos dois.

Um abraço
Sara

RS disse...

Folgo saber que é o fiel amigo que encontrarás à mesa a 24 de Dezembro.
Apesar de adepto da cozinha alentejana, um Natal sem bacalhau, para mim, é impensável!
:-)

Asulado disse...

Para mim, impensável é um Natal sem litão.

António Baeta disse...

Ah, filho de Olhão! :-)

RS disse...

:-)

António Baeta disse...

:-)