quarta-feira, abril 13, 2005

Há polémica a propósito do CELAS

CELAS - Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, © António Baeta Oliveira

Isabel Soares, presidente da Câmara Municipal, revelou a uma delegação do CELAS (Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves), a sua intenção de que venha a ser o executivo camarário o responsável pela gestão do espaço multiusos da futura sede do CELAS (antigo edifício do Matadouro Municipal).

O espaço multiusos é o corpo central daquele edifício, o espaço que abrirá o CELAS ao mundo exterior, «através dos eventos culturais que derivam dos objectivos estatutários», como expressamente refere o PROA (Programa Operacional do Algarve) em documento oficial no qual se confere o montante do apoio financeiro a prestar pelo Estado para a reabilitação do edifício que será a sede desta associação.

Retirar ao CELAS o direito ao exercício da gestão do espaço multiusos, é proceder como o senhorio que aluga ao inquilino uma determinada moradia e pretende gerir o que se passa no seio da família que para lá vai habitar.

Mais do que a ironia que faço entre o senhorio e o inquilino, o que a Câmara pretende é ilegal, e Isabel Soares é signatária da decisão do executivo camarário que cede o edifício do ex-Matadouro para «futura sede do CELAS, bem como as obras necessárias para a sua reparação e adaptação para aquele fim», conforme consta nessa decisão do executivo.

Ilegal será também a recente decisão do Executivo de ceder um outro corpo do edifício a uma designada "Fundação Al Moutamid Ibn Abbad", assumindo-se já como gestora garantida do CELAS, numa posição que, além de prepotente, liquidaria por inteiro o projecto do Centro de Estudos Luso-Árabes, que de um edifício completo de três corpos - direcção, multiusos e biblioteca - ficaria confinado ao seu espaço de direcção, o que menos falta faria a esta associação que continua à espera da sua sede definitiva, pelo menos desde 1997, data em que o compromisso camarário foi assumido.

A polémica não pára por aqui, pois a direcção do CELAS não aceitou tais decisões e prepara-se para defender os seus direitos legais.

Eu deixo aqui esta chamada de atenção para uma problema que reputo de elevada gravidade e que é do desconhecimento geral da população da cidade e do concelho de Silves.
O CELAS prepara entretanto a sua Assembleia Geral, já agendada para 7 de Maio, e as decisões aí assumidas serão então dadas a conhecer através da imprensa e outros meios de divulgação.

P.S.
Fui informado, entretanto, já depois da publicação deste post, que Isabel Soares procedeu à inauguração de umas obras que a Câmara fez num edifício cujo proprietário é a Sociedade de São Marcos da Serra, sem "dar cavaco" à Sociedade.
Coincidências?!

7 comentários:

Anónimo disse...

É, decerto, esse espírito prepotente e arrogante que leva a que Silves seja um dos poucos municípios do País que não dispõem de "site" na Internet (o que tinha está em alegada remodelação há mais de um ano...).
Espero que os eleitores não deixem de ter estes factos em conta na primeira oportunidade.

António Baeta disse...

Não entendo o porquê do anonimato. A sua declaração, independentemente do valor que possa ter, para mim não tem valor nenhum.

Torquato da Luz disse...

Foi um lapso técnico, meu caro António.
O Anonymous (forçado) sou eu. Só agora reparei. Estou desculpado?
O abraço de sempre.

António Baeta disse...

O lapso deixou de ser anónimo.
Outro abraço.

Luisa Anselmo disse...

-O que é o poder?

-Coisa de subterrâneo...

-Bué de escuro?

-Não só...e bué de cego.

Abraço
Luisa

manuel ramos disse...

Faco minhas as tuas palavras!
Desculpa a falta de cedilha mas debato-me com um teclado letao (com til)!
Um abraco de Riga!!

António Baeta disse...

Um abraço grande para chegar até Riga.