terça-feira, abril 26, 2005

Uma vez mais, a Bienal

Ninguém estará certamente a pensar que o êxito ou não-êxito de uma bienal de poesia se possa medir pelo número de pessoas que consegue congregar, tanto mais quando se trata de uma pequena cidade de província com cerca de 10 mil habitantes. Também não será fácil determinar quantas dessas pessoas foram afectadas pela publicidade da iniciativa, ainda que funcionando de uma forma menos usual, tentando surpreender com aposição de poemas nas montras dos estabelecimentos comerciais, nas bases de copos em bares e cervejarias, nas toalhas de mesa dos restaurantes, como descrevo em post de 19 de Abril.
Não. Todos sabemos que o êxito das "coisas" da cultura não se mede dessa maneira, porque todos sabemos que a cultura não mora aqui. A cultura não tem lugar no dia-a-dia do cidadão, não tem valor porque não é traduzível em termos de "deve e haver" nesta sociedade de consumo. O quotidiano é o "circo", o mero divertimento alienante, e o "pão", a satisfação das necessidades primárias; TRINTA E UM ANOS DEPOIS DE ABRIL.

Quanto às escolhas dos poetas, sobre as quais fui interrogado através dos "comentários", remeto para a apresentação da Antologia "A Poesia serve-se fria!", lançada no decurso deste evento: (...) «O critério de selecção dos Poetas revisitados por Oradores e Actores baseia-se em aproximações ao "corpus" poético de cada Autor, simbolizado em António Ramos Rosa, o nosso poeta do sul azul...» (...).
Deixai-me dizer ainda, satisfazendo um outro "comentário" aqui deixado, que, à laia de prefácio, dessa antologia consta a "Evocação de Silves", de Al-Mu'tamid ibn Abbad, que há dez séculos atrás aqui viveu.

1 comentário:

O Cão do Guedes disse...

Enfim…não seria mais "adequado", embora mesmo que em paralelo, criar uma verdadeira animação de rua, com lugares de encontro, musica, poesia, teatro, livros,..., festa, nos vários espaços que podem ser adequados para o efeito, ir ao encontro de “todas as pessoas”, do que continuar-se a "enclaustrar" em toalhas e bases de copos a cultura, com alguma "magnificência" nos espaços solenes e "circunstância" dos tempos fingidos...que logo á partida, parece transformar a cultura, neste caso a poesia em algo quase exclusivo e elitista, quem sabe intimidatório, talvez porque... "porque todos sabemos que a cultura não mora aqui".
Um abraço.