terça-feira, agosto 23, 2005

Um poema e a promessa de um conto

Uma açoreana passou por aqui outro dia, na rota de Vitorino Nemésio, e estranhou a ausência de Antero na minha "colecção de poetas". É Antero que vos trago hoje e a promessa de mais um dos meus contos na próxima sexta-feira. Acontece que, mais longo do que o habitual, dividi o conto em duas partes; a primeira parte será aqui publicada na quinta-feira.

  • Tormento do Ideal

    Conheci a Beleza que não morre
    E fiquei triste. Como quem da serra
    Mais alta que haja, olhando aos pés a terra
    E o mar, vê tudo, a maior nau ou torre,

    Minguar, fundir-se, sob a luz que jorre;
    Assim eu vi o mundo e o que ele encerra
    Perder a cor, bem como a nuvem que erra
    Ao pôr do sol e sobre o mar discorre.

    Pedindo à forma, em vão, a ideia pura,
    Tropeço, em sombras, na matéria dura,
    E encontro a imperfeição de quanto existe.

    Recebi o baptismo dos poetas,
    E, assentado entre as formas incompletas,
    Para sempre fiquei pálido e triste.

Antero de Quental
Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa
Eugénio de Andrade
Campo das Letras, Porto, 2001

P.S.
Hoje, 24, exultei de alegria com a notícia da reabertura, após completo restauro, do Teatro Mascarenhas Gregório. Podeis aceder à notícia em www.silves.web.pt, um site sobre Silves que mantenho há mais de oito anos, e cuja divulgação agradeço.
Entretanto, com esta notícia, ganhou extrema actualidade um post que aqui deixei em (clique no sublinhado) 8 de Janeiro de 2004.

5 comentários:

Miguel disse...

Fico á espera do Conto!

Bjs da matilde

hfm disse...

Gosto sempre de reler Antero, ainda sei alguns dos seus sonetos de cor.

Canis Lupus Horribilis disse...

Lindo!
Quanto à divulgação? No que eu poder ajudar, ainda que pouco, vou tentar.
Abraço.

Unknown disse...

João
A divulgação interessa mais a quem tiver algo a ver com Silves, mas agradeço a prestimosa colaboração.

Um abraço de Parabéns, neste 25 de Agosto.

Anónimo disse...

hoje é o dia das mascarilhas à Zorro pelo que tou a ver. é o teatro grego, o caule da figueira, os xantinhos invisíveis