quarta-feira, março 15, 2006

Palácio dos Balcões

Alcáçova de Silves, Fevereiro 2006, © António Baeta Oliveira

Terminou o blog Palácio dos Balcões. O seu autor promete mesmo retirá-lo "do ar".

Termina como começou:

  • O Palácio do Balcões

    Saúda, por mim, Abu Bakr,
    os queridos lugares de Silves
    e diz-me se deles a saudade
    é tão grande como a minha.
    Saúda o Palácio dos Balcões,
    da parte de quem nunca o esqueceu,
    morada de leões e gazelas
    covis de sombras onde
    doce refúgio eu encontrava
    entre ancas opulentas
    e tão estreitas cinturas.
    Mulheres brancas e morenas
    que em minha alma
    faziam o efeito de espadas refulgentes
    e das escuras lanças!
    [...]


    Al-Mutamid, Rei de Sevilha, Séc.XI

    O Palácio dos Balcões (Ksar Ash-Sharajibe) é a âncora dos Orientes sonhados. É o paradigma máximo dos contos de mouras encantadas, de nascentes douradas por canções mouriscas. É a recordação desse povo que veio alegrar uma península acabrunhada, que nos apresentou à poesia, à música, à dança, que nos trouxe mulheres escuras e de cinturas finas, que nos iluminou com os sábios gregos e o sofismo oriental. O mítico Palácio dos Balcões, em Silves, é o farol de um mundo imenso. De Marraquexe a Calecute, de Atenas a Nanquim.

João Delgado, autor do blog, e do texto que se segue ao poema de Al-Mu'tamid, não tem, segundo julgo saber, nenhuma relação particular com Silves. O que nos diz do Palácio dos Balcões chegou-lhe por via do saber, do conhecimento, da cultura; esse factor que nos torna capazes de ver o mundo com outros olhos além dos nossos e de partilhar esse olhar com os outros.
Agradeço, como silvense.

شُكْرًا (xukran), obrigado, caro João Delgado!

4 comentários:

JD disse...

Muito agradeço o elogio.

De facto, não tenho qualquer relação familiar com Silves. Apenas cultural, ou seja, emocional. Mas todos temos, afinal, ou deveríamos ter.

Para a próxima visita a Silves envio-lhe um email com antecedência.

Entretanto, o Local e Blogal continuará a fazer parte do meu quotidiano. É uma janela para um mundo onde não vivo, mas que admiro.

Obrigado.

António Baeta disse...

Obrigado, João.

Terei muito gosto em percorrer consigo, em Silves, os caminhos destas nossas emoções.

Um abraço.

sabine disse...

Caro António: vou colocal o seu blogue na minha barra lateral. é muito interessante!

António Baeta disse...

Que posso dizer, Sabine. Muito obrigado!