quarta-feira, outubro 24, 2007

Maria Keil

Fotografia recortada, a partir de uma publicação da Biblioteca Nacional Digital, referida mais abaixo no textoMaria Keil nasceu em Silves, decorria o ano de 1914.
É uma personalidade incontornável na cultura portuguesa, nomeadamente no que se refere ao mundo da azulejaria e da ilustração.


Sobre a sua vida e obra aconselho, vivamente, a referência que se segue, na Biblioteca Nacional Digital (clique), a propósito de uma sua exposição, em 2004, na Biblioteca Nacional, e onde poderá apreciar uma parte significativa do trabalho desta grande mulher.
Para a conhecer melhor, recomendo ainda a leitura da revista Noesis, nº 54 (clique), onde se publicou uma sua entrevista, realizada por José Carlos Abrantes e Dora Santos.

Porquê falar agora de Maria Keil?
Porque, mais uma vez, a administração da cidade e do concelho deixa passar a oportunidade de reforçar os laços de identidade e de coesão social, nesta malograda cidade de Silves, ao perder esta exposição, agora em Lagos, como se pode testemunhar neste artigo publicado no Barlavento (clique), a 20 de Outubro de 2007.

Silves morre, culturalmente, em cada dia que passa, tanto pelo que não se faz, como pelo que não se deixa fazer, por uma administração que sufoca a sociedade civil, ao substituir-se no seu papel.
Parece, por vezes, que age de propósito, não fosse a evidente ausência de um plano estratégico para o concelho e a visão inadequada da forma como deve incentivar as iniciativas sociais e culturais, geradoras de coesão e convivência social, numa sociedade que perde identidade todos os dias.

Não é que a exposição de Maria Keil fique mal em Lagos; talvez até fique melhor. Do que me queixo é da falta de visão estratégica e de iniciativa. A administração da cidade deveria ter sabido desta exposição, da mesma forma que Lagos o soube.

A única referência pública a Maria Keil, uma personalidade nascida nesta cidade, está patente no pequeno largo ao fundo da Praça de Al-Mu'tamid, o antigo Largo do Poço da Câmara, de que abaixo tenho uma fotografia de pormenor, de um seu painel sobre Silves, junto ao qual nem se faz referência ao seu autor (a sua naturalidade, a sua vida, a sua obra).

Pormenor do painel de azulejos, de Maria Keil, no antigo Largo do Poço da Câmara, Silves, Outubro 2007, © António Baeta OliveiraO painel assinala vários símbolos identitários, como o rio, o laranjal e a cor do grés de Silves, em pequenos azulejos de decoração geométrica e vegetalista, a evocar o seu passado mouro e o seu período mais brilhante, que é, ainda hoje, passados oito séculos, motivo inspirador de qualquer hipótese estratégica para o desenvolvimento social e económico da cidade.

P.S.
Também Manuel Ramos, no seu Saco dos Desabafos, se refere a Maria Keil, sob o título Santos-da-Casa não fazem milagres.

2 comentários:

hfm disse...

De Maria Keil recordo o sorriso com que sempre me recebia em sua casa onde funcionava a Guilde du Livre... era então eu uma jovem que ela ajudava a despertar.

António Baeta disse...

Obrigado pelo teu testemunho, Helena.