segunda-feira, outubro 29, 2007

Perto dos que nos antecederam

Arrifana, Aljezur, Outubro 2007, © António Baeta OLiveira

 


 


 


 


 


Por estas paragens, face a este oceano rebelde que parece não ter fim, viveu uma das figuras mais carismáticas da nossa história - Ibn Qasi (séc. XII), monge-guerreiro, sufí, líder de um reino que se estendia até Niebla, junto às portas de Sevilha.
Perto deste local, onde bati a fotografia, construiu o seu ribat - (convento-fortaleza) - e daqui dirigiu a revolta dos muridines.
Descendente de família autóctone e poderosa, convertido ao islamismo, foi contemporâneo de Afonso Henriques, com quem estabeleceu acordos que vieram a resultar no seu assassinato, em Silves, acusado de traição.

Morgado de Arje, Portimão, Outubro 2007, © António Baeta Oliveira

 


 


 


 


 


Também Ibn Mahfot, último rei de Niebla (séc. XIII), numa extensão que incluía o termo de Silves, escolheu o local cuja vista a fotografia pretende retratar, perto da ribeira de Boina, afluente do Arade, para aí se refugiar das solicitações da corte e gozar os prazeres da Natureza e da Vida

E eu também, no âmbito do 5º Encontro de Arqueologia do Algarve, me encantei nestes locais que pude fruir na tarde e no anoitecer do passado sábado, e que tamanha nostalgia me cravaram no peito.

8 comentários:

hfm disse...

Fizeste-me ficar com água na boca. Há locais onde nos transcendemos. Os picos de Monserrat, não propriamente o santuário foram sítios onde me perdi e onde senti a paz do infinito.

António Baeta disse...

Onde te perdeste ou onde te encontraste?
Assim me perguntaste um dia, Helena.

Torquato da Luz disse...

Essas paisagens não podem deixar de comover os nossos árabes corações, caro Toy.

António Baeta disse...

É verdade que nos comovem o coração, mas duvido que o meu seja árabe, talvez mais berbere, africano, mas muito, muito mediterrânico.
Não vês como nos inquieta o Levante?!

gato xara disse...

Caro António,
Descobri há pouco tempo o Ribat de Ibn Qasi, e fiquei maravilhado! Parece incrível, pensar que passei ali perto tantas vezes, sem imaginar tal tesouro... Um abraço e até sempre, sigo sempre com atenção este teu espaço onde sinto que o Amor pelo Mediterrâneo é partilhado de uma forma especial.

António Baeta disse...

Nuno
Tu também, meu caro?!
O que é senão partilha e amor pelo Mediterrâneo, o que fazes na música do teu Axaraz, que ainda não tive oportunidade de ouvir ao vivo.
Um abraço.

gato xara disse...

É um elogio que muito me honra! E revelo um segredo: em breve farei uma letra inspirada no ribat :-) Entretanto, está para breve o final da composição de todas as músicas do Axaraz, depois é passar para o passo seguinte: a partilha com todos, ao vivo. Darei notícias!

António Baeta disse...

Esperarei ansioso.
Um abraço amigo.