sexta-feira, junho 04, 2004

A Lenda das Amendoeiras

Os choupos de Silves - © António Baeta Oliveira
Silves, 22 de Maio de 2004

Quem não conhece a lenda dos amores de Al-Mu'tamid, o príncipe árabe de Silves, por Gilda, a princessa nórdica, saudosa da neve da sua terra!?
Não. Infelizmente não são amendoeiras cobrindo de flores o chão como um manto de neve. São choupos, cujo pólen cobre a terra como uma espessa camada de algodão.

Por onde andarão as amendoeiras?
Sei que não são árvores de sombra, nem árvores ditas decorativas, mas são certamente património do nosso Algarve e, por via da lenda frequentemente atribuída a Silves, um património local.
Não haverá um sítio apropriado, uma pequena área, onde se possa colocar algumas amendoeiras?
Que bem que ficariam na encosta Norte da Alcáçova!
Imagino-as já, na Primavera, iludindo de neve os olhos saudosos dos europeus do Norte que nos visitam, os nostálgicos olhos dos algarvios e dos silvenses que todos os anos as buscam e cada vez as vêem menos, os tristes olhos dos portugueses, que aqui vêm na rota dos mistérios e das belezas do Sol e do Sul.
Património não é só o do passado remoto; é também aquele que a "civilização", no seu passo impiedoso vai destruindo. Saibamos nós mantê-lo, por respeito aos nossos avós e a nós próprios.


6 comentários:

eduardo disse...

Completamente de acordo, António.

Sara Xavier disse...

Dos jacarandás para as amendoeiras um passeio em Portugal.

Luisa Anselmo disse...

Olá!
amendoeiras amendoeiras/cheias de pétalass/brancas róseas/doce lilaz/transparências baléticas/embelezando musicando/as madrugadas algarvias/valores nossos perdidos/estupidamente perdidos/por novos gigantes/que os pisam/os esmagam/os arrancam/os perdem/em nome de deuses/comerciais/mais produtivos/ mais rentáveis/mais crúeis/mais vazios/mais fatais/com noites de arrefecer/-quantas vezes,,,-/ matadoras até/ do desejo de alvorecer.

Fernando Santos disse...

Acho ultrajante que uma coisa destas aconteca,acho que como o Tó diz e muito bem,que existe um património legado pelos nossos antepassados, efectivamente as amendoeiras que fazem parte Silves em si.

Torquato da Luz disse...

Meu caro António, lembro-me de ver, do alto do Castelo, os campos brancos: "Em Fevereiro, quando lá de cima/ Deus com a tinta do luar escreve/ Seus versos algarvios, rima/ A flor das amendoeiras com a neve".
Mas, agora, há a praga dos choupos. Aquele "algodão" irrita, provoca alergias. Por isso, eles têm sido substituidos por outras árvores, em diversos locais do País, incluindo certas praças de Lisboa.
Essa sorte não têm alguns alcantarilhenses, que, todos os anos em Maio, fartam-se de sofrer por causa dos choupos existentes à saída da vila, na estrada para Armação de Pêra. Já se queixaram, já ouviram promessas várias, mas o certo é que as árvores continuam lá.
O abraço de sempre.

Dilar disse...

olá. Que bom que é a comunicação livre e indepentente.
Eu que não sou algarvia mas que desde sempre ouvi falar nas amendoeiras em flôr, agora que vivo no Algarve bem as procuro e apenas vou vendo "florir" muito braviamente "coisas de betão. Estou contigo Baeta.