segunda-feira, junho 14, 2004

Rua de Portugal

  • Rua de Portugal

    Já não existe a casa
    vinte o
    número
    da trémula muralha térrea
    defensora
    duma pátria começando
    quase sem luz
    no céu com o sentido que lhe davam
    sombras fixas
    Para lá
    do tecto indefinido a
    luz criava como
    uma onda
    a casa sobre o mar


Gastão Cruz
Rua de Portugal
Assírio & Alvim, Lisboa 2002



3 comentários:

francisco ricardo disse...

Aparentemente, fragmentos de frases, uma espécie de caos genesíaco, quais pinceladas de um pintor, numa tela começando. Texto ambíguo, lá cabem leituras todas, História (muralha, pátria começando), memória de infância, casa e mar. Estamos perto de SOPHIA ? fcr.

António Baeta disse...

Muito próximo da motivação do autor, Francisco, pois o nº 20 da Rua de Portugal, em Faro, foi o local do nascimento de Gastão Cruz.
Quanto à proximidade a Sophia não sou capaz de comentar. Seria preciso conhecer com maior profundidade estes dois poetas, de que tanto gosto.
Um abraço.

helder disse...

Rua de Portugal, a rua onde Gastão Cruz nasceu, a rua onde escreveu os seus primeiros textos e poemas, a Rua que lhe valeu o prémio de Poesia da APE. Vale a pena ler E.Prado Coelho no "Mil Folhas", do «Público» de 29/5/04. Por mim contribui com vários posts, um dos quais se acede lá acima, a verde...
Este é o Portugal de que gosto!
Cumprimentos do helder.