sexta-feira, junho 11, 2004

O circo chegou à cidade

Estádio do Algarve
Estádio do Algarve

"Alea jacta est!"

Os "estádios" estão lançados!

De entre a prévia e abundante camada de estrume, bem putrefacto, irrompe já, possante e verde, a relva que, extravasando arenas, tudo cobre até ao horizonte, para além do deficit, agora feito défice, a integrar de pleno direito o quotidiano enriquecido da língua portuguesa.

Também lá estarei mal surja a hora do primeiro golo, alienado, mas embalado nesta ilusão de um Quinto Império por cumprir.

Amanhã, haverá pão?


5 comentários:

hr disse...

Talvez esta alienação pegada, nos obrigue a discutir Portugal. E disso não devemos ter medo, pois Portugal é de quem o reflecte e não de quem o reproduz, de quem o desconstrói e não de quem (re)força (o) Portugal, da turbamulta exaltada e da bandeirinha do pagode.
Votos de boas (des)alienações!
helder.

fcristovaoricardo disse...

Aproveitando a boleia do seu latim , lembrarei que o povo latino dizia : "primo vivere...", que Ovídio retratou o povo ávido de pão e circo ("panem et circenses"), que o nazareno pregava "não só de pão vive o homem". Acho que há muito de verdade nestas máximas. Não desdenho do futebol Acho belo o poema "Ausência" de Sophia, que nos deixa sem palavras("num deserto sem água / numa noite sem lua / num país sem noime / ou numa terra nua / por maior que seja o desespero / nenhuma ausência é mais funda do que a tua"); acho belo um passe de Pedrito de Portugal, 55 ksl de arte, deante de uma força bruta de 500 kls, um e outro a imporem silêncio às multidões ( nunca à morte do touro, artistas, sim, assassinos, não!) ; Acho bela uma finta, belo um passe e um golo, de Figo, como belo um voo temerário de Vitor Baía...Alienados são os que alimentam três diários da bola, os que aceitam os jogos de bastidores dos seus donos e a "lou

fcristovaoricardo disse...

rização" ( passe o neologismo) do futebol. fcr

eduardo disse...

Então não há-de haver, António! Nem que a massa seja feita das pequenas coisas que (ainda) alegram a gente. Já que não se consegue alterar certos estados de coisas no dia 13, e se muitos acham um disparate este patriotismo circunstancial, deixem-nos vivê-lo neste dia 12. Pelo menos.
Um abraço.

Manuel Ramos disse...

E agora, que já sei (sabemos) o resultado do jogo, pergunto: comemos o quê???