sexta-feira, março 30, 2007

Há poetas que visito

Há poetas que visito e que me dão a honra da sua visita. Acontece que um desses poetas estará esta noite (30), pelas 21h00, na Bulhosa de Oeiras, para apresentar, com a assinatura da Papiro Editora, o seu último trabalho, a que chamou Ofício Diário.

É de um exemplar que me remeteu e onde deixou um simpático autógrafo, que transcrevo o poema que se segue.
Escolhi-o, não porque fosse o poema de que mais gostei, mas antes por ser o que me reavivou memórias que julgava esquecidas, de um Algarve que conheci e que já não reconheço.

  • Memória

    A memória dos cheiros
    leva-me à velha casa dos avós,
    com suas arcas de figos secos,
    amêndoas e alfarrobas.

    Em olorosa festa,
    há uvas que rescendem
    entre albricoques, pêssegos, ameixas
    e peras-engasgas.

    Cheiros que fazem a memória
    de um tempo que me interpela.

Torquato da Luz
Ofício Diário
Papiro Editora, Lisboa 2007

5 comentários:

Torquato da Luz disse...

Um forte abraço, Toy.

bettips disse...

De vez em quando, dá-me uma saudade de árabe, de cheiros, de espaços.
De abraços.

António Baeta disse...

Reparto os meus abraços, por ti Torquato e por ti, Bet.

Capuchinho Vermelho disse...

Os cheiros são, de facto, a melhor âncora da memória.

António Baeta disse...

Agradeço a visita activa, Capuchinho.