segunda-feira, maio 24, 2004

O milagre, segundo Mário Barroso

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Madragoa Filmes

Observada pelo seu amante a partir de um outro compartimento, enquanto compõe as suas meias, eis Salomé.

O extremo cuidado posto nas imagens, na luz, na abordagem da câmara, como quem sugere leituras para além do imediatamente visível; a contenção emocional dos actores, conferindo-lhes uma maior profundidade; a caracterização da época sem insistência nem exagero nos pormenores, mas vivamente presente; o fluir suave da teia romanesca até à conclusão que se adivinha e se sugere; a apresentação do " milagre de Fátima" sem polemizar, dando lugar à interpretação subjectiva do espectador, como nos sucede na própria vida; a música, sem enfatizar; o som, natural e audível, como nunca antes sentira no cinema português.

Gostei muito, mesmo muito, sinceramente, e recomendo.


2 comentários:

PadrePedro disse...

Aqui é complicado... Não sei quando poderei ver o filme (no Porto, em Braga?...) Mas este parece que merece uma deslocação - nem que isso signifique, só para ver um filme, programar um fim de semana...

António Baeta disse...

Receio que duas semanas de cartaz para um filme português, na província, seja demasiado, mas um fim-de-semana no Porto ou em Braga, com ou sem "milagre", valem o esforço.
Um abraço, desde o Sul até bem ao Norte.