quarta-feira, janeiro 28, 2004

Cortar a dor. Deixar as facas.

  • "Saem da Baraca Malgóss de cabeça baixa e sem olharem para trás, pés descalços na terra vermelha. Lenços cobrem-lhes as cabeças e as caras, panos coloridos comprados pela família especialmente para a ocasião tapam-lhes os corpos, mais ou menos infantis. A cabeça toca as costas da menina que vai na frente, para tentar manter no trilho o comboio para a idade adulta. A máquina fotográfica dispara. Os olhos assustados, até aqui colados ao chão, espreitam timidamente por uma nesga do lenço. É medo o que trazem inscrito. Provavelmente medo de algo que não vai acontecer, mas que lhes disseram que doía muito. As mãos estancam à porta do ventre que não lhes vão roubar."


O texto acima é um excerto de um dossier do Público, sob o título Cortar a dor. Deixar as facas. Descreve a problemática que se coloca face à luta contra a mutilação genital feminina na Guiné-Bissau, assumida pelo projecto Sinin Mira Nassiquê (SMN) e outras organizações não governamentais.

Despertou a minha atenção um post sobre o mesmo assunto que li em Little Black Spot.

Recomendo vivamente a leitura do dossier, a que se pode aceder online por via do link que deixei acima e agora aqui também: Cortar a dor. Deixar as facas.

2 comentários:

Maria Santos disse...

Parabens ao António por completar neste dia (28) mais um ano de vida... e por se manter sempre jovem... (cada vez mais) descobriu a fonte da juventude foi???
Beijinho

insensatez disse...

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