sexta-feira, janeiro 23, 2004

Este apego à terra natal

Ibn Sidmir, viveu em Silves e deve ter escrito este seu poema num exílio forçado, já depois da conquista cristã.


  • agrada-te a brisa do alvorecer
    e o fulgor do relâmpago
    quando brilha e se apaga?
    e também as avezinhas no ramo arrulhando
    e as nuvens prenhes de água gotejando?
    tudo isto são temas para o amor,
    mas qual o enamorado que não chora?
    eu,
    não fossem brisa, relâmpago,
    pombas que arrulham, e nuvens,
    não saberia amar.
    tudo me recorda Silves,
    mas, ai de mim, como está distante!
    tão longe,
    que não poderei mesmo regressar!


ALVES, Adalberto
O meu coração é árabe
Assírio & Alvim, Lisboa 1998

P.S.

Tu, silvense de hoje, julgas que não há mundo além do teu, outra Silves que não a tua? Vê bem como os teus antepassados amavam a mesma terra que tu dizes amar. Estes poemas viverão para além de ti e, muito provavelmente, Silves será lembrada pelo testemunho destes poetas e talvez nada fique da tua memória ou da minha. Faz por conhecê-los melhor!

2 comentários:

Sara Xavier disse...

Continuo lendo, lendo e encantando-me

lusitanus disse...

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