segunda-feira, junho 20, 2005

Alma

Outro dia, em plena blogosfera, um poeta oferecia a sua alma.
Eu aceitei e estou certo de que todos ficarão a saber porquê.

  • Alma

    Quero dar-te o essencial:
    o som de uma guitarra ao fim da tarde,
    o piano de Chopin tocando ao longe
    e o odor a jacarandá na Praça das Flores.

    Quero dar-te o pôr-do-sol da ria de Faro
    e o verde, a perder de vista,
    que escorre das muralhas do castelo de Silves.

    Quero dar-te o límpido horizonte
    de Armação de Pêra, onde aprendi a amar o mar,
    e o branco-rosa das amendoeiras
    de Alcantarilha, meu eterno recomeço.

    Quero dar-te a minha alma.

Torquato da Luz, 2005
Ofício Diário


3 comentários:

concha disse...

Tão bonito este poema de uma alma do sul.

Santos Passos disse...

Permita-me, Antonio, ser prosaico: o que Armação de Pera me lembra é um peixe maravilhoso que comi junto à areia, num boteco/restaurante fantástico que lá há. Se não me engano, é Carlos, algo assim. Tudo muito prosaico, mas delicioso.

Torquato da Luz disse...

Mais um abraço, Toy!