terça-feira, outubro 17, 2006

Aniversário de Ramos Rosa

António Ramos Rosa, um dos maiores poetas do nosso tempo, nasceu em Faro a 17 de Outubro de 1924.
Em sua homenagem, escolhi um poema que tem a particularidade de ter sido dedicado a um outro algarvio, seu amigo e poeta dos mais reputados, também, da poesia portuguesa contemporânea - Casimiro de Brito.

  • A LÂMPADA

    As palavras em chamas queimam veias e árvores,
    lâmpadas em turbilhão fluem nas calçadas
    entre pernas vermelhas e caixotes e cães.
    Corro sobre o mar, esta palavra lâmpada
    aquece-me por dentro, é um ovo de esperança,
    corro, corro à espera de nascer no meu povo.

    Quem dirá o contorno, o colo que se debruça
    na imóvel figura de um punho silencioso
    o fruto vigilante e submerso seio?

    No silêncio da mesa sobre a lisa
    dureza
    ela é a inundação sem tempo e a presença
    da origem e alta dignidade humana.

    Ó lâmpada, exemplo de poema,
    quando aprenderemos a tua dócil sombra
    e as tuas sílabas em que o silêncio ama?

    A esperança é vigilante em tua luz.
    A luz é vigilante em tua esperança.

António Ramos Rosa
ALGARVE todo o mar
(Colectânea)
Publicações D. Quixote, Lisboa 2005

4 comentários:

HFR disse...

António, hoje estive a falar com os meus alunos de Ciências da Comunicação sobre o poeta, sem suspeitar da "coincidência". Ainda bem que recordaste a data e colocaste um poema dedicado a Casimiro, que a 16 de Outubro de 1956 iniciava o Prisma de Cristal, página literária em «A Voz de Loulé». Abraço do Helder.

António Baeta disse...

Helder
É curioso que ainda hoje estive a rever os meus arquivos de Outubro de 2004 e lá encontrei um texto que produzi, a teu convite, para A Voz de Loulé, exactamente a propósito do início da colaboração de Casimiro de Brito no Prisma de Cristal, sob o título A Casimiro de Brito.

hfm disse...

Um dos meus poetas favoritos.

firmina12 disse...

o casimiro de brito foi o primeiro poeta da minha vida : aos 12 anos dormia com a imitação do prazer sob a almofada e depois entou-me logo o antónio ramos rosa, sempre ilustre