terça-feira, outubro 03, 2006

Os Dias que nem sequer contam

Este ano, o 1º de Outubro ocorreu a um domingo. Esta coincidência deveria ter facilitado qualquer iniciativa que se prendesse com o Dia Mundial da Música. Em Silves, o Dia amanheceu surdo e adormeceu mudo.

Sabemos que Silves tem um Cine-Teatro, o mais marcante edifício da década de 60 (talvez o único edifício de porte dessa época histórica da nossa cidade), fechado e, pelo "andar da carruagem", condenado à demolição.
Cine-Teatro, Outubro 2006, © António Baeta Oliveira
Teatro Mascarenhas Gregório, Setembro 2005, © António Baeta Oliveira
Sabemos também que o velho Teatro Mascarenhas Gregório foi restaurado e apressadamente inaugurado, com pompa e circunstância, em vésperas de eleição autárquica, e se mantém fechado desde essa altura, já lá vai mais de um ano.

Sabemos ainda que estas estruturas, mesmo que estivessem a funcionar, não suportariam eventos de alguma exigência, por limitações da dimensão do palco ou por certas especificidades técnicas: uma companhia de dança, como a Companhia de Dança do Algarve, uma orquestra, como a Orquestra do Algarve, ou mesmo uma companhia de teatro, como A Companhia de Teatro do Algarve, teriam sérias dificuldades de adaptação a estes palcos se comparecessem no seu melhor, como frequentemente acontece em Faro, em Loulé, em Lagos ou até em Lagoa. Uma ópera, por exemplo, nunca aqui teria lugar.
Acontece que as nossa vizinhas cidades do Barlavento estão já equipadas ou em vias de se equipar (Portimão) com o seu próprio auditório.
Silves, muito provavelmente ainda nem se deu conta desta necessidade estratégica.

Há, no entanto, uma anterior necessidade estratégica que urge atacar, para que as estruturas existentes, ou as que um dia venham a funcionar ou a ser criadas, possam cumprir a sua função cultural e justificar o investimento público. Trata-se da necessidade de formar públicos e esta necessidade passa pela produção cultural local, para além da oferta consumista a que estamos habituados.

É sempre com agrado que assisto a concertos da Banda da Sociedade Filarmónica Silvense, ao ar livre. O que mais me agrada é ver que as suas actuações atraem um público muito característico, que tem a ver com o envolvimento dos familiares e dos amigos dos músicos, que rodeiam a Banda com a sua alegria de gente atenta, que a ouve e a acompanha com palmas e outros sons, marcando o compasso; que se regozija com o prazer e a festa da música e que entende, por proximidade, a generosidade, o esforço, a dedicação, algumas vezes mesmo o sacrifício, que se exige, por anos a fio, na aprendizagem da teoria da música, do solfejo, da execução de um instrumento.
E que dizer da alegria da interpretação colectiva, quando os músicos se dirigem a um público que os sabe apreciar!?
(...)

(Continua no próximo post, brevemente, num blog local, perto de si.)

5 comentários:

RS disse...

De facto, por muitos teatros e auditórios que se construam, a ausência de investimento na formação do público, sensibilizando-o para formas de expressão que lhe são desconhecidas, compromete toda e qualquer política cultural. No papel poderá ficar bonito o número de infraestruturas existentes, mas não serão mais que edifícios vazios. Que as ruas e praças vivam para que os auditórios e teatros se encham.

Abraço,
RS

António Baeta disse...

Rui
Obrigado pelo teu comentário, que apoia o entendimento global do que se passa a nível local. Tem sido essa, desde sempre, a ideia que preside a este blog - Local & Blogal - que deve ser lido, extensivamente, como Local & Global. Era até assim que estive para o nomear, mas preferi jogar com a troca de letras da última palavra.
Um abraço.

sol13 disse...

Edificios vazios para quê?
Gastar dinheiro a restaurar "velhos" edificios para que?
Porque fica bem, porque é preciso, porque estamos nas eleições....então e depois?
Interessante seria sim, que eles tivessem vida.

Bjokas

Anónimo disse...

CARO TÓY !
ESTE TEU BLOG ,DEVO CONFESSAR,TEM-ME ABERTO ALGUMAS "VENTANAS" E POR ISSO TE SIGO ,DIÁRIAMENTE...TB ME INDIGNO COM O MARASMO ,MAS (RE)CONFESSO QUE SOU MAIS DE VER ..."A BANDA PASSAR" DO QUE ME SENTAR A VÊ-LA ,DE VERDADE ! PROMETO ESTAR COM OUTRA ATENÇÃO NA(S) PRÓXIMA(S) OPORTUNIDADE(S).UM ABRAÇO DO
JOÃO CARREIRA

Abdel disse...

Espaços culturais em Silves, é facil as estradas são boas por isso e só ir as cidades ao lado.
Cultura com assiduidade em Silves, é só aguarda pela campanha eleitoral autárquica mais próxima ( se houver €)