terça-feira, outubro 31, 2006

Novos poetas algarvios (II)

Como o "prometidro é dre vidro", não vou quebrar o compromisso. Quero dar-vos conta do que dizem os jovens algarvios na sua poesia e começo com aquele que já ontem incluí em fotografia - Pedro Afonso.



  • tenho entranhado em mim o meu fim a minha plenitude fatal
    lentidão fatídica das tardes solarengas do inverno mediterrânico

    cresço nas margens dum texto-mar que se atormenta na sua tempestade [enunciadora
    sou espuma por absorver numa praia de rochas quentes e carapaças secas

    gritam-me pelos ares na loucura da descoberta
    sou-me imposto na ondeante ditadura marítima

    o meu futuro é o presente e o passado está para acontecer
    sou o tempo que demoro a dizer-me

    defino-me na arbitrária orquestra dos signos
    margino-me parágrafos genéticos nas páginas do que serei

Pedro Afonso
Do Solo ao Sul
(Antologia de Novos Poetas Algarvios)
ARCA (Associação Recreativa e Cultural do Algarve), Faro 2005

2 comentários:

Anónimo disse...

Pois é, o prometido é de vidro, por isso tantas vezes se quebra.
Um abraço
Luís

António Baeta disse...

E eu não o quis quebrar.
Um abraço, Luís.