quarta-feira, novembro 10, 2004

La liberté libre

Uma amiga (Helena Monteiro) chamou-me a atenção para um site, de origem francesa, de homenagem a Arthur Rimbaud neste ano de comemoração do 150º aniversário do seu nascimento.
Trata-se de uma produção multimédia de extremo bom gosto, onde forma e conteúdo se equilibram de maneira notável.

Hoje, deve ficar disponível o 4º itinerário, dos oito que darão forma completa a este magnífico local na Internet.
Visitai-o! Eu irei visitá-lo também.

Entretanto deixo-vos com um seu poema, na língua original e numa tradução de Augusto de Campos (que me foi facultada num dos emails de divulgação de poesia, de Amélia Pais):






Voyelles

A noir, E blanc, I rouge, U vert, O bleu : voyelles,
Je dirai quelque jour vos naissances latentes:
A, noir corset velu des mouches éclatantes
Qui bombinent autour des puanteurs cruelles,

Golfes d'ombre; E, candeurs des vapeurs et des tentes,
Lances des glaciers fiers, rois blancs, frissons d'ombelles;
I, pourpres, sang craché, rire des lèvres belles
Dans la colère ou les ivresses pénitentes;

U, cycles, vibrements divins des mers virides,
Paix des pâtis semés d'animaux, paix des rides
Que l'alchimie imprime aux grands fronts studieux;

O, suprême Clairon plein des strideurs étranges,
Silences traversés des Mondes et des Anges:
- O l'Oméga, rayon violet de Ses Yeux!


Vogais

A negro, E branco, I rubro, U verde, O azul, vogais,
Ainda desvendarei seus mistérios latentes:
A, velado voar de moscas reluzentes
Que zumbem ao redor dos acres lodaçais;

E, nívea candidez de tendas areais,
Lanças de gelo, reis brancos, flores trementes;
I, escarro carmim, rubis a rir nos dentes
Da ira ou da ilusão em tristes bacanais;

U, curvas, vibrações verdes dos oceanos,
Paz de verduras, paz dos pastos, paz dos anos
Que as rugas vão urdindo entre brumas e escolhos;

O, supremo Clamor cheio de estranhos versos,
Silêncios assombrados de anjos e universos;
- Ó! Ômega, o sol violeta dos Seus olhos!



1 comentário:

hfm disse...

Rimbaud sempre!
Um abraço
Helena