segunda-feira, novembro 22, 2004

Julião Quintinha

Jornalista e escritor, Julião Quintinha foi uma figura ilustre da vida silvense e da vida lisboeta da sua época (1886-1968). Assumiu um papel importante na direcção das associações que vieram a instalar-se no prédio da Rua do Loreto, em Lisboa, e deram origem à Casa da Imprensa.

Convém recordar esta figura do passado da minha terra que tende a cair no esquecimento, enterrada na lápide do nome de uma rua, e chamar a atenção para o valor da sua obra, apelar à sua eventual republicação.


É o que faço ao remeter-vos para O Pató, um pequeno conto, com a cidade de Silves como cenário, ao fundo.

Não resisto a atrair a vossa atenção, com um pequeno excerto que retrata esse mundo dos anos 20/30, do anarco-sindicalismo, da organização operária dos corticeiros, de que ouvia falar em surdina, quando miúdo, sem entender, mas que sempre me atraiu pela curiosidade que me desencadeava:

  • " (...) O mês corria tumultuoso, triste, faminto: os operários tinham protestado contra a miséria do salário; estalara, violenta, vermelha, ruidosa, a greve! O patrão mantinha-se irredutível, em guarda dos seus interesses, e o governo - como suprema solução - mandara tropa, soldados, cavalaria que guardava vinhedos e figueirais, que guardava tudo... Era raro o dia em que não havia "cenas" com a tropa, e depois, gente presa, gente ferida, muita gente sobressaltada. (...)"

Remeto-vos ainda para a divulgação de uma outra importante figura de Silves, da mesma época, que ilustrou o livro de Julião Quintinha, na imagem acima - Bernardo Marques (1899-1962), ilustrador e pintor, homenageado em Silves e Lisboa por ocasião do centenário do seu nascimento.

P.S.
Atrevo-me a aconselhar os meus leitores de Silves a guardar estes textos que sugiro, usando a impressora, e divulgá-los junto dos amigos, dos pais ou dos avós. É um serviço que se presta à memória de Julião Quintinha e Bernardo Marques e também à cidade de Silves.


14 comentários:

hfm disse...

Obrigada pelas dicas vou segui-las.

Torquato disse...

Como o tempo passa, meu caro!
Conheci pessoalmente Julião Quintinha e fiquei surpreendido ao ler, agora, que morreu em 1968. Tinha a ideia de que não fora há tantos anos...
O abraço de sempre.

francisco ricardo disse...

Entusiasma, António, essa sua paixão por Silves e suas gentes. Os nomes de Julião Q. e bernardo M. deviam ser inscritos na toponímia da cidade ( dêem-se nomes às ruas, mas elucide-se o passante dos feitos que fizeram), esculpam-se estátuas em largos e praças, e sobretudo, publiquem-se as suas obras. É dever das Câmaras publicarem as obras dos seus conterrâneos. Um abraço. fcr

Manuel Ramos disse...

Justa homenagem! Não sei porquê(!) mas a leitura dos comentários anteriores trouxe-me à lembrança a Escola Secundária de Silves. Talvez por que já há alguns anos se debata com a questão da escolha do seu patrono!!

francisco ricardo disse...

Volto a Silves, não propriamente a um silvense, para dizer que, via António e à simpatia que criou "on line", comecei a gostar mais da sua cidade, que tem honras de figurar em "Os Lusíadas" (VIII,26 ) :
"Vês, com bélica astúcia ao Mouro ganha
Silves, que ele ganhou com força ingente. É Dom Paio Correia, cuja manha
E grande esforço faz enveja à gente."
fcr

António Baeta disse...

E ainda há mais Silves nos Lusíadas, Francisco, se aqui for.
Um abraço.

António Baeta disse...

Agora vejo, Francisco, você próprio comentou o meu post sobre Camões e os Lusíadas, explicando o contexto da utilização da palavra bárbaro, a significar mouro.
E que bem que o fez!
Outro abraço.

francisco ricardo disse...

Esta minha memória....acabo de ler o meu comentário ao seu blogue e satisfaz-me que o tenha considerado pertinente. Um abraço. fcr

António M. Lima disse...

Curiosamente, existe uma rua chamada "Bernardo Marques" e outra "Julião Quintinha", para quem consultar o mapa da cidade de Silves, vivam então os homenageados!...

António Baeta disse...

António M. Lima
Você leu o post? Ali se diz Convém recordar esta figura do passado da minha terra que tende a cair no esquecimento, enterrada na lápide do nome de uma rua, e chamar a atenção para o valor da sua obra, apelar à sua eventual republicação.
Homenagear é divulgar a sua obra; essa sim, é que tem chegar aos cidadãos.
Com Bernardo Marques a situação é a mesma.

johny disse...

Nao sabia que o meu tio avo (tio do meu avo) era assim tao conhecido.


cumprimentos,
Paulo Quintinha

António Baeta disse...

É com prazer que recebo os seus cumprimentos, Paulo.

Lucia disse...

É a mais pura verdade quando se diz que acaba no esquecimento e/ou em alguma placa de rua.. Tenho casa na Rua Julião Quintinha e não há a menor referência de quem tenha sido, uma lástima, mas já estou a seguir o vosso conselho e passando adiante esta valiosa informação de quem foi e suas obras.. Uma pena que seja tão difícil de adquirir alguma..
Lucia da Costa

isa pontes disse...

Adoro este Senhor. Ainda à pouco dizia a um amigo meu que este se está a tornar em patologia grave. É que passo horas a procurar livros dele. Nessa procura deparo-me com coisas estranhas... o mesmo livro a custar 16 euros e noutro local 50 euros. Tenho já alguns que depois mando encadernar. E, claro, não deixo de lamentar profundamente o esquecimento a que este fantástico homem é remetido. Verifico, com pesar, que aos nossos governantes, por muitos e longos anos, convem trazer o povo agarrado a livros "pimpinela" e "rosa". Um forte abraço a todos os admiradores deste escritor tão querido.