quinta-feira, setembro 23, 2004

A ficção não reproduz a realidade, mas reflecte-a

Outras "urgências" têm adiado este escrito sobre o meu regresso às salas de cinema, de que me afasto, habitualmente, durante a época de verão.

A minha rentrée teve lugar no "Terminal de Aeroporto".

Trata-se da recriação de um certo tipo de sociedade, em "universo fechado". Uma sociedade de direito que, fria e desafectuosamente, se rege por normas e onde os vazios legais atiram as decisões sobre os ombros de um responsável que, supostamente, tem o poder de decidir. Acontece que o acto de decidir não recai sobre os ombros de um qualquer, mas sobre os ombros de quem, ao longo de uma carreira serviu, fria e objectivamente, o rigoroso cumprimento de normas.
Claro que há executivos mais ou menos frios e impessoais, com maior ou menor sentido de justiça, mas que, no momento da decisão, agirão sempre "conforme manda a sua consciência".

Também a massa anónima, a que, na obscuridade dos seus "papéis", faz funcionar toda a enorme trama organizativa do "grande aeroporto", se retrai perante a quebra de normas, o receio da perda do emprego e, no labirinto dos vazios legais, cada um tenta chamar si a sua oportunidade. Mas, face ao "herói", quando ele ganha a dimensão do mito e a todos une numa identificação comum, então é capaz de solidariedade e altruísmo.

http://www.theterminal-themovie.com/main.html
The Terminal - The Movie


Nos filmes, o mito identificador é sempre "o bom da fita", na vida real não é assim, até porque o "bom mito" de uns pode ser o "mau mito" de outros.

Conhece sociedades como esta, em "universo aberto"? Não!?

Procure-a então, apesar dos exageros da ficção e em "universo fechado", num qualquer "Terminal de Aeroporto" perto de si.


1 comentário:

Marco disse...

Creio que o filme é baseado num caso real de um iraniano(?) que viveu város anos no aeroporto de Orly. Estou com muita curiosidade para ver o filme.